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Xamanismo | ![]() |
O xamanismo é a mais antiga prática espiritual, médica e filosófica da humanidade. Os rápidos resultados, introvisões de profundo significado, o contato com realidades ocultas, a obtenção de auto-conhecimento, a busca do poder pessoal, contribuem para o interêsse nas práticas. Já no início da humanidade, quando os homens ainda moravam em cavernas cercadas de feras, viviam com medo de tudo que se mexia, mas ao observarem o ciclo da natureza e suas manifestações, refletiam sobre sua relação com o Universo, e, sem saber, estabeleciaam uma ponte com o macrocosmo, traçando um fio que nunca mais iria se romper. O xamanismo é um conjunto de crenças ancestrais. Sua prática estabelece contato com outros planos de consciência, a fim de obter conhecimento, poder, equilíbrio, saúde.Propicia tranquilidade, paz, profunda concentração, estimula o bem estar físico, psicológico e espiritual.
Durante algum tempo as práticas xamânicas encontraram-se adormecidas, mas voltaram a despertar a atenção dos homens modernos, independentes de seu estágio cultural ou do fato de serem, agora, cosmopolitas. O xamã pode ser homem ou mulher. É o mago, o curandeiro, o bruxo, o médico, o terapeuta, o conselheiro, o contador de estórias, o lider espiritual, etc.Ele é o explorador da consciência humana. O praticante é levado a sair do torpor convencional, reconhecendo os seus limites, a sua limitada visão pessoal do mundo, buscando um plano mais universal. Capazes de elevar a consciência para estados de êxtase desconhecidos para o homem comum e de ser relacionar com outras realidades, os xamãs são seres privilegiados por viverem entre o mundo material e o Reino invisível dos espíritos. Através de um chamado interior ele vive um confronto existencial que o força a sair de uma zona de conforto, do falso brilho, da alienação. Reforçando a coragem e a determinação, o praticante mobilizado por visões, introvisões e vivências, expande a sua consciência, podendo processar transformações de profundas proporções na sua vida. O xamanismo resgata a relação sagrada do homem com o planeta.
Hoje, numerosos doutores e psicoterapeutas defendem e utilizam as técnicas ancestrais para atingir outras realidades, para a cura efetiva no tratamento de certas desordens do corpo e da alma. A bibliografia sobre xamanismo foi ampliada nestes últimos anos. Porém, apesar disto, continua a ocorrer equívocos ao definirem os xamãs como feiticeiros, videntes, curandeiros, médiuns e outros intermediários das coisas sagradas. Mas, o que é realmente o xamanismo? Quem pode ser chamado de xamã?
A melhor definição talvez tenha sido a que Mircea Eliade deu, de que o xamã é alguém capaz abandonar seu corpo, e viajar entre os mundos. O conhecimento adquirido nessas viagens com os habitantes de diferentes realidades, entre outras coisas, qualificam o xamã a manter o bem-estar e a cura para eles próprios e para os membros de suas comunidades. Mas é essa facilidade deles de realizarem essas viagens extáticas, que define o xamã como "Aquele que voa". Praticar xamanismo é ir em busca da excelência espiritual, é enxergar a realidade existente por trás dos conceitos, é se harmonizar com as marés naturais da vida. É trilhar o Caminho Sagrado, atravessando os portais da mente, das emoções, do corpo e do espírito.
Então, o xamanismo é -a técnica do êxtase -, um conjunto de procedimentos para exercitar o controle do vôo mágico. Não é um culto, mas um conjunto de práticas e técnicas, antigas como o ser humano, e que usa o simbolismo de cada cultura das pessoas que as praticam. Mas debaixo daqueles símbolos as mesmas forças e os mesmos elementos estão agindo no insondável infinito, possibilitando aos indivíduos aprenderem conscientemente a transpor o aparente abismo existente entre o mundo físico e as esferas da imaginação e da visão.
A premissa básica é o reconhecimento que todos fazemos parte da Família Universal e tudo está interligado. O praticante compreende o "Espírito Essencial" que está dentro dele mesmo, na natureza e em todos os seres. Ele sabe quem ele é , e como se relaciona com o Universo. O reconhecimento do caminho da verdade vem da expansão da consciência e a compreensão que o verdadeiro poder está dentro de cada praticante, e provém do desenvolvimento de seus próprios dons. Hoje, no Planeta, a vibração está mais alta do que nunca. As pessoas se preocupam cada vez mais com o autoconhecimento e fazem a sí mesmo uma pergunta : "O que eu realmente devo fazer na vida?"Nesta busca deparam-se com barreiras, seja com relacionamentos, trabalho, saúde, carreira e etc. O maior obstáculo para o crescimento é a inércia, que cria a insensibilidade, pois priva o indivíduo de novas possibilidades, cria passividade com relação à vida. Cria falta de vitalidade, limita a criatividade e predispõe ao papel de vítima. A consciência se limita a fugir, a ter medo.
A vítima fica sempre vivendo as sombras do passado e com medo do futuro. As práticas xamânicas compelem a mente a viver dentro do coração, até que a mente ignorante seja destruída. Isso se manifesta quando o ser se revela espontaneamente.
Na verdade, o antigo modo de viver acaba, abrindo caminho para um jeito mais consciente. Quando se aproxima o verdadeiro propósito da alma, tudo da natureza interior vem a tona. A pessoa entra em um processo mais rápido de transformação pessoal. Quando convidamos o amor para despertar poderes mais profundos, trabalhar nos desafios torna-se uma aventura.
O praticante explora a estrutura de sua própria consciência e vai compreendendo como os fatos acontecem na sua vida, deixando de ser vítima das circunstâncias. Sente-se inspirado pelos desafios e aprende a utilizar a energia de forma a caminhar no Amor - Paz e Luz.
Praticando a sabedoria das antigas tradições adaptadas ao mundo atual e ao estado atual da alma humana, o trabalho é feito com tambores, canções, meditações, instrumentos de poder, danças, respirações, visualizações, estórias, vivências e muito, muito amor.
Grupo Koryak com um
tambor, 1915.
Os xamãs tinham um
papel importante nas vidas dos membros de suas tribos e eram os protetores e os
intermediários entre os humanos e os espíritos. O treinamento e o desenvolvimento de
futuros xamãs demorava vários anos. Tão logo o clã reconhecia um candidato a xamã e o
seu direito de se tornar um xamã, era feito um ritual de consagração. Outros rituais
também eram obrigatórios quando um Xamã recebia cada um de seus objetos especiais.
A baqueta era um dos principais artefatos de ritual xaânico para os Evenks, Sel'kups, Nenets, e os Kets, e tinha muitas funções simbólicas. A palavra Evenk para baqueta é ghis, literalmente significando "falante" ou "objeto de dizer o futuro". Os Sel'kups também usavam a baqueta para a cura. O Xamã toca o local de dor com a baqueta e extraia a doença ( o espírito mau).
Xamã Yakut com um tambor, early
1900s.
No período de instrução, o jovem xamã recebia seu
primeiro tambor mas raramente ele recebia o tambor e a baqueta ao mesmo tempo. A base do
tambor era feito de uma madeira especial e era oval ou redondo. A pele usada era de cervo
ou de alce. Era o principal instrumento de um xamã para chamar os espíritos por meio do
som. O tambor não só era um instrumento musical como também um símbolo do Universo.
O mundo, o sol, a lua e vários outros elementos
cósmicos eram representados nele. Na cultura do Evenks, Kets,
Sel'kups, e dos Nenets, o tambor estava associado com o gamo e sua cavalgada que estava
sempre associado com a jornada xamânica. O tambor também era também um símbolo de sua
força.
Um tambor novo, acreditavam os Sel'kups, não tinha nenhum poder e não podia ser usado em um ritual religioso, ou kamlaniye. Por isto um ritual de iniciação ou animação era feito para o tambor tomar vida.
De acordo com os Evenks, todos os parentes do Xamã estão presentes na cerimônia de iniciação do tambor. O ritual de iniciação do tambor é tido como uma caça mágica, o destroçar da besta mítica com sua subsequente reviver.O ritual termina com uma refeição onde as pessoas comem carne de gamo morto um dia antes. Depois, o tambor é decorado com pinturas e pingentes que são atados em sua parte interna e no punho do tambor. O último passo na iniciação do tambor é o canto da canção do Xamã e o direito de todo parente do Xamã dança a dança circular com o tambor que simboliza a adesão e o tornar-se parte das forças da natureza.Esta atividade é associada com as idéias de prosperidade do clã; a vida, sucesso e fecundidade dos seres humanos e dos animais. A parte interna do tambor é onde os espíritos ajudantes se reunem. Durante o kamlaniye o Xamã é chamado por seus espíritos ajudantes e protetores para fazer uma jornada com a ajuda deles. Os Sel'kups, Kets, e os Evenks colocam espíritos protetores feitos de metal, madeira, e couro em seus tambores.

Xamã Khorolkan da Tribo Kambaghir dos Evenk, início do sec. XIX
Os pendiricários nas roupas do Xamã são também feitos de metal, couro, pele, madeira e ossos. Entre os Evenks, os pingentes de metal são forjados por um ferreiro. As imagens dos espíritos ajudantes dos Xamã são zzomorfica ou antropofomorficas: bestas, pássaros. almas humanas, a mãe-besta na imagem de uma alce fêmea; imagens de ancestrais dos Xamãs entre os Evenks, Nenets e os Sel'kups. Um conjunto de pingentes em um Xamã Evenk simboliza o esqueleto do espírito do Xamã n oqual ele foi reincarnado. Exemplares de flechas, facas, espelhos e pequenos sinos também são usados para protegê-los contra espíritos maus.
Depois que o tambor e a baqueta são recebidos pelo Xamã dos Evenks, Sel'kups, e dos Kets, os parentes manufaturam um avental onde os pingentes que representam os espíritos ajudantes são gradualmente costurados de acordo com as intruções do Xamã. Estes objetos são "alimentados" com alimentos ritualísticos, tal como sangue e a eles são pedidos conselhos durante o kamlaniye.À medida em que o Xamã se torna mais poderoso, o número de pingentes no avental e também na roupa do Xamã também aumentam. Uma capa é confeccionada e decorada com pingentes para o Xamã que já é poderoso e já possui um avental, cocar, tambor e baqueta. Ao colocar sua vestimenta, o Xamã adiquire poderes e visões adicionais para poder realizar o kamlaniye, e também pode seguir em jornadas por mundos do universo.
Um objeto de ritual importante de um Xamã entre os Nenets e os Evenks é um cajado sobre o qual ele se apoia para viajar à outros mundos. A roupa de um Xamã Nenet é muito simples. Um cocar pequeno, na forma de uma coroa com um pedaço de pano caindo sobre sua face tinha um papel importante na comunicação com os espíritos.
Um ancestral do Xamã de Nganasan criou esta seqüência para se receber os componentes da vestimenta, pingentes e tambor. Um Xamã futuro, à medida em que ele adiquire conhecimento e poder receber os objetos nesta seqüência: cocar, luvas, avental,sapatos, tambor com a baqueta, e a capa. O desenvolvimento de um Xamã determina o seu destino e suas atividades xamânicas.
Criada em 01 Abr 2004 |
Última Atualização em 01 jan 2004 |
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