Introdução às Cinco Principais Tradições Espirituais do Tibet

Durante o período de propagação do Budismo no Tibet foi restabelecido o contato com a tradição Budista da Índia, e a influência de mestres diferentes conduziu a uma diversidade nas linhagens dos mestres. Gradualmente três ordens novas principais, Sakya, Kagyu e Gelug surgiram. Nyingma foi identificada como a forma de Budismo introduzida desde a chegada de Guru Padmasambhava noTibet.

A Tradição Bön

A Tradição Sakya

A Tradição Kagyu

A Tradição Gelug

A Tradição Nyingma

A tradição Bonpo

A tradição espiritual mais antiga do Tibet é a Bön. De acordo com as explicações Bönpo, dezoito mestres iluminados aparecerão neste aeon e Tönpa Shenrab, o fundador da religião Bön, é o mestre iluminado desta era. Ele disse que nasceu na terra mística de Olmo Lung Ring, cuja localidade permanece ainda um mistério. A terra é tradicionalmente descrita como dominada pelo Monte Yung-drung Gu-tzeg (Edifício das Nove Swastikas), que muitos identificam como o Monte Kailash a oeste do Tibet. Devido à sacralidade de Olmo Lung Ring e da montanha, tanto a swastika de sentido anti-horário quanto o número nove são de grande significado na religião Bön.

Acredita-se que Tönpa Shenrab primeiro estudou a doutrina Bön no céu, no final do qual ele rogou aos pés do deus da compaixão, Shenla Okar, para guiar o povo deste mundo. Conseqüentemente, com a idade de trinta e um anos ele renunciou ao mundo e tomou uma vida de austeridades, disseminando a doutrina para ajudar os seres imersos em um oceano de miséria e sofrimento. Neste esforço de espalhar a doutrina, ele chegou ao Tibet, na região do Monte Kailash, que é conhecido como a terra de Zhang Zhung, historicamente o assento principal de cultura e doutrina Bön. Registros sobre a vida de Tönpa Shenrab podem ser encontrados nas três principais fontes; mDo-'dus, gZer-migand gZi-brjid. As duas primeiras são tidas como textos Tesouros (gTer-ma) descobertos, de acordo com a história Bön, no século X ou XI. O terceiro pertence à llinhagem do sussurro (sNyan-brgyud) transmitida entre os adeptos.

As doutrinas ensinadas por Tonpa Shenrab são geralmente classificadas em dois tipos; primeiro, Os Quatros Portais e Um Cofre (sGo-bzhi mDzod-lizga), onde as quatro primeiras são: a doutrina Água Branca(Chabdkar) que lida com assuntos esotéricos; a doutrina Água Negra (Chab-nag) que lida com narrativas, magia, ritos funerais e ritos de resgate; a doutrina da Terra de Phan ('Phanyul) que contém as regras monásticas e exposições filosóficas; a doutrina do Mentor Divino (dPon-gasa) contendo exclusivamente os ensinamentos da grande perfeição; e finalmente, o Cofre (mTho-thog) que engloba os aspectos essenciais de todos os quatro portais.

A segunda classificação, os Nove Caminhos do Bön (Bön theg-pa rim-dgu) é a seguinte: o Caminho da Predição (Phyva-gshen Theg-pa), que descreve sortilégio, astrologia, titual e prognóstico; o Caminho do Mundo Visual (sNang-shen theg-pa), que explica o universo psicofísico; o Caminho da Ilusão ('Phrul-gshen theg-pa), que dá detalhes de ritos para se dispersar forças adversas; o Caminho da Existência (Srid-gshen theg-pa), que explica os rituais de funeral e morte; o Caminho de um Seguidor de um Programa (dGe-bsnyen theg-pa), que contém os dez princípios para uma atividade beneficiente; o Caminho de um Monge (Drnag-srnng theg-pa), no qual as regras e regulamentações monásticas são colocadas; o Caminho do Som Primordial (Adkar theg-pa), que explica a integração de um praticante exaltado numa mandala de iluminação superior; o Caminho do Shen Primordial (Ye-gshen theg-pa), que explica as guias mestras para a procura de um verdadeiro mestre tantrico, e, finalmente, o Caminho de Suprema Doutrina (Bla-med theg-pa), que discute somente a doutrina da grande perfeição.

Os Nove Caminhos foram depois sintetizados em três: os primeiros quatro constituíram os Caminhos Causais (rGyui-theg-pa), os quatro subseqüentes formaram os Caminhos Resultantes ('Brns-bu'i-theg-pa) e o nono se tornou o Caminho Insuperável ou o Caminho da Grande Completude (Khyad-par chen-po'i-theg-pa or rDzogs-chen). Tudo isto é encontrado no cânone Bön compilados em mais de 200 volumes classificados em quatro sessões: os sutras (mDa), a perfeição dos ensinamnetos de sabedoria ('Bum), os tantras (rGyud) e o conhecimento (mDzod). Além deles, o cânone lida com outros assuntos tais como os rituais, artes e trabalhos manuais, lógica, medicina, poesia e narativas. É interessante notar que na sessão do Conhecimento (mDzod) concernente à cosmologia e cosmogonia é bem particular do Bön, apesar de haver especulações acadêmicas de que exista uma forte afinidade com certas doutrinas Nyingma.

A história nos mostra que com o aumento do patrocínio real ao Budismo, a doutrina Bön foi desencorajada, e foi também perseguida e banida. Praticamente nada se sabe a respeito do Bön no período que vai do século VIII ao século XI. Entretanto, com a implacável devoção e esforço de verdadeiros seguidores como  Drenpa Namkha (século IX), Shenchen Kunga (século X) e muitos outros, a doutrina Bön, a religião indígena de Tibet, foi resgatada do obscurantismo e re-estabelecida ao lado do Budismo no Tibet.

Desde o século XI, com o estabelecimento de mosteiros como Yeru Ensakha, Kyikhar Rishing, Zangri e os últimos Menri eYungdrung Ling no Tibet Central; e Nangleg Gon, Khyunglung Ngulkar e outros, mais de trezentos mosteiros Bön foram estabelecidos no Tibet antes da ocupação Chinesa. Destes, os mosteiros de Menri eYungdrung foram as principais universidades para o estudo e prática da doutrina Bön. Uma nova avaliação do Bön ocorreu no século XIX sob a assistência de Sharza Tashi Gyeltsen, cuja obra escrita compreendia em dezoito volumes que deram à tradição Bön um novo impulso. Seu seguidor Kagya Khyungtrul Jigmey Namkha treinou muitos discípulos não só na religião Bön, mas em todas as ciências Tibetanas. Entretanto, com a invasão Chinesa noTibet, como as outras tradições espirituais, o Bönismo também sofreu irreparáveis perdas.

Pelos eforços do Abade Lungtok Tenpai Gyeltsen Rinpoche, do Venerável Sangyey Tenzin e outros poucos monges mais velhos, uma pequena parte da comunidade Bön se re-estabeleceu com sucesso no mosteiro de Tashi Menri Ling em Dolanji nas colinas perto de Solan em Himachal Pradesh, India, com o aval de Sua Santidade o Dalai Lama e do Conselho para Assuntos Religiosos e Culturais. Por algum tempo este mosteiro foi o único centro importante onde os monges mais jovens podiam receber um treinamento completo dentro da filosofia Bön, mais disciplinas monásticas, e rituais e danças religiosas. Completados ainda com estudo de gramática, medicina, astrologia e poesia, os monges são ainda orientados com uma educação moderna.

Ao se concluir com sucesso o curso completo de estudos, que é acessado tanto por meios de exames escritos quanto dialéticos, um monge conquista o Grau Geshey (Doutorado em Bönismo). Este passa então a servir sua comunidade através de ensinamentos, de escritos e assim por diante.

Além do Mingye Yungdrungling existe também o Tashi Thaten Ling e outros quatorze mosteiros Bön  na Índia e Nepal. Eforços têm sido feito para se estabelecer um Instituto Internacional do Bön no Nepal para fortalecer as atividades religiosas Bön e para apresentar sua doutrina para o resto do mundo.

Atualmente o Bonismo, apesar de ter perdido sua posição proeminente, possui muitos seguidores em muitas tribos Tibetanas e em algumas áreas isoladas. Os rituais e as crenças do Bonismo formam uma parte integral da cultura Tibetana. A tradição Bön tem recebido apoio de Sua Santidade o Dalai Lama, que recentemente fêz uma visita de dois dias à Dolanji, onde ficou impressionado pelo grau de conquistas educacionais. Além disto ele fêz uma declaração em 1988 na Conferência Tulku em Sarnath onde enfatizava a importância de se preservar a tradição Bön, como representante das fontes indígenas da cultura Tibetana, e  reconhecendo o papel importante que teve na construção da identidade única do Tibet.

A Tradição Sakya

A tradição Sakya está fortemente ligada à linhagem ancestral de Khon, que derivou de seres celestiais. A linhagem descendeu intacta até o tempo presente iniciando-se com Khon Könchok Gyelpo(1034-l 102), fundador da tradição Sakya.

Do ponto de vista doutrinal a tradição localiza suas origens no Yogin Indiano Virupa até Gayadhara. O seu discípulo Drogmi Shakya Yeshe (992-1074) viajou para Índia onde recebeu os ensinamentos no Kalachakra, o Caminho e sseu Fruto e outros, de muitos mestres Indianos e depois retornou ao Tibet. Depois, Khon Könchok Gyelpo, um de seus discípulos principais, construiu um monastério na província de Tsang noTibet central e deu o nome de Sakya, ou monastério da Terra Cinzenta. Assim a escola levou seu nome, Sakya, do local do monastério. O filho de Khon Könchok Gyelpo, Sachen Kunga Nyingpo (1092-1158) foi uma  pessoa de habilidade extraordinária e conquista espiritual, quem organizou todas as linhagens tantra e ensinamentos sutra de Arya Nagarjuna e Virupa. Ele teve quatro filhos - Kungabar, Sonam Tsemo, Jetsun Dakpa Gyeltsen e Palchen Rinpoche. O segundo filho Sonam Tsemo (1142-82) se tornou um estudante instruído com a idade de dezesseis anos. Ele teve visões de muitas deidades meditationais e também produziu muitos discípulos reconhecidos. Jetsun Dakpa Gyeltsen (1147-1216) recebeu seus votos de celibato leigo e mostrou fortes sinais de maturidade espiritual em sua na mocidade. Com a idade de onze anos ele deu o seu primeiro ensinamento sobre Hevajra.

O discípulo principal de Jetsun Dakpa Gyeltsen era o seu sobrinho, filho de Palchen Öpochey o famoso Pandita Sakya, Kunga Gyeltsen (1182-1251). Pandita Sakya estudou filosofia Budista e não-Budista, lógica, Sanscrito, astrologia e arte, com inúmeros Mestres Nepaleses, de  Kashmir e Tibetanos e alcançou domínio sobre todos eles. Quando ele tinha vinte e sete anos, depois de se encontrar com o Pandita Shakya Shribhadra de Kashmir, ele se tornou um monge completamente ordenado e manteve seus votos sem a menor infração. Seus trabalhos como a Tesouro da Lógica em Cognição Válida (Tsod-ma rigs-gter) e a Discriminação dos Três Votos (sDom-gsum rab-dbye) são famosos até hoje. 

Em 1244, Godan Khan, neto de Gengis Khan, intrigado com a reputação do Pandita Sakya, o convidou para ir à Mongólia onde ele deu ensinamentos Budistas. Em 1253, depois que Pandita Sakya  e Godan Khan tinham falecido, o imperador, Sechen Kublai Khan convidou Drogön Chögyal Phagpa, sobrinho de Pandita Sakya para sua corte. Phagpa inventou um novo manuscrito  para se escrever o idioma mongol. Kublai Khan ficou impressionado assim pelo desempenho de Phagpa que declarou Budismo a religião oficial da Mongólia e o presenteou com o governo de três províncias no Tibet. Assim, Phagpa foi a primeira pessoa na história Tibetana a ganhar autoridade religiosa e secular em todo o país. Ele foi sucedido por seu irmão Chagna e ao todo os Sakyapas regeram o Tibet por mais de cem anos.

Eventualmente, Tishri Kunglo (1299-1327), primogênito dos quinze netos do irmão de Sakya Pandita, fundou quatro casas dinásticas: Zhithog, Rinchen Gang, Lhakhang e Ducho dos quais só as últimas duas dinastias sobreviveram. Porém, no século XV a Dinastia Ducho se dividiu em duas sub-dinastias, ou palácios; o Dolma Phodrang e o Phuntsok Phodrang. O hierarquias presentes destes dois palácios são Sakya Trizin.

Ngawang Kunga Theckchen Rinpoche (1945-). que é o chefe atual da tradição Sakya, e vive em Dehra Dun, Índia e, Dagchen Rinpoche(1929-), o fundador do Sakya Thegchen Choling nos Estados Unidos da América. A sucessão à posição de chefe da tradição Sakya tem sido hereditária desde o tempo de Khon Könchok Gyelpo e tradicionalmente se alterna entre os dois palácios. Sakya Dagtri Rinpoche, o titular presente é o 4l°  ocupante do Trono Sakya.

Entre os principais mantenedores da tradição Sakya, Sachen Kunga Nyingpo (1092-1158), Sonam Tsemo (1142-1182), Dakpa Gyeltsen (1147-1216), Sakya Pandita Kunga Gyeltsen (1182-1251) e Drogön Chögyal Phagpa (1235-1280) são conhecidos como os Cinco Patriarcas da Tradição Sakya. Depois deles, foi o assim chamado Seis Ornamentos do Tibet: Yaktuk Sangyey Pal e Rongton Mawe Sengey que eram famosos por suas autoridades nos ensinamentos dos sutras; Ngorchen Kunga Zangpo e Zongpa Kunga Namgyel que eram instruídos nos tantras; Goram Sonam Sengey e Shakya Chogden que eram instruídos nos sutras e tantras. Estes foram os mestres espirituais famosos da tradição Sakya. Entre eles Gorampa Sonam Sengey, instituiu o estudo formal da lógica na tradição Sakya.

Como outras tradições do Budismo Tibetano, várias sub-divisões emergiram dentro da tradição Sakya principal. A linhagem de ensinamentos dentro da disciplina instituída por Ngorchen Kunga Zangpo (1382-1457) e pelos mestres sucessivos como Könchok Lhundrup, Thartse Namkha Pelsang e Drubkhang Pelden Dhondup vieram a ser conhecidas como a linhagem Ngor, considerando que, as linhagens Tsarchen Losel Gyatso (1502-56), foram chamadas de a linhagem sussurrada Tsar, relativo aos Treze Textos Dourados do Tsar, inclusive as doutrinas secretas do Mahakala superior e inferior, Vajra Yogini, Jambhala e outros, são conhecidos como a tradição de Tsar. Assim, a escola Sakya da linhagem Khon representa o tronco principal de uma árvore da qual o Ngorpa e as escolas Tsarpa são filiais. Estas são, as três escolas (Sá-Ngor-czar-gsum) na tradição Sakya.

O ensinamento central e a prática Sakyapa, chamado de Lamdrey (Lam - ' bras), O Caminho e Seu Fruto certamente leva aos seus praticantes ao estado de Hevajra. O Caminho e Seu Fruto são uma síntese de todos os caminhos e frutos de ambas as classes exotéricas e esotéricas de ensinamento. O ensinamento do Caminho e Seu Fruto se originou dos professores Indianos Virupa, Avadhuti, Gayadhara e Shakyamitra, um seguidor do Arya Nagarjuna, e foram trazidos ao Tibet pelo tradutor Tibetano Drogmi e foi passado através de uma linhagem irrompível até mestres de hoje. Durante a época de Muchen Sempa Chenpo Könchok Gyeltsen, um discípulo de Ngorchen Kunga Zangpo (1382-1457), a transmissão do Caminho e Seu Fruto se partiu em duas sub-tradições: a Explicação para Discípulos Particulares (sLob-bshad) e para as tradições das Assembléias (Tshog-bshad). O ponto de vista filosófico expressado no Caminho e Seu Fruto é a inseparabilidade entre samsara e nirvana. De acordo com isto, um indivíduo não pode atingir nirvana ou paz simplesmente abandonando a existência cíclica ou samsara, porque a mente é a raiz do samsara e do nirvana. Quando obscurecida, leva a forma de samsara e quando livre das obstruções é nirvana. Conseqüentemente, a realidade é que uma pessoa tem que se esforçar através da meditação para perceber a inseparabilidade deles.

Nas universidades monásticas Sakya são estudados dezoito textos principais. Estes tratam da Perfeição de Sabedoria, Disciplina Monástica, Visão do Caminho do Meio, Phenomenologia , Lógica e Epistemologia, como também comentários sem igual à tradição, como a Discriminação dos Três Votos, o Tesouro da Lógica na Cognição Válida e os trabalhos de Gorampa Sonam Sengey e outros. Em sua graduação, ao monge é concedido o grau de Kazhipa, Kachupa e Rabjampa à base de mérito. A prática tantrica principal da escola Sakya é o Hevajra e os tantras Chakrasambhara, Mahakala e assim sucessivamente.

Os principais monastérios Sakya  noTibet eram Nalanda em Phenpo construido por Rongton Sheja Kunrig,  Lhakhang Chenmo fundado por Khon Könchok Gyelpo, Tsedong Sisum Namgyel, estabelecido por Namkha Tashi Gyeltsen e Ngor E-Vam Chodhen, fundado por E-Vam Kunga Zangpo no Tibet Central; Dhondup Ling, fundado por Dagchen Sherab Gyeltsen e Lhundup Teng fundado por Thangtong Gyalpo em Kham; e Deur Chode construído por Chodak Sangpo em Amdo. Agora, Tsechen Tenpai Gatsal em Rajpur, Uttar Pradesh; Ngor E-Vam Shadrup Dargye Ling em Bir, Himachal Pradesh, Tsechen Dhongag Choeling em Mundgod, Karnataka State, e Ngor E-Vam Chodhen em Dehradun, Uttar Pradesh na Índia como também Tashi Rabten Ling em Lumbini no Nepal são alguns dos principais monastérios restabelecidos da tradição Sakya.

A Tradição Kagyu

As linhagens da Escola Kagyu do Budismo Tibetano derivam principalmente de duas fontes: Marpa Chökyi Lodoe (1012-1099) e Khyungpo Nyaljor (978-1079). O primeiro foi treinado como tradutor por Drogmi Yeshe (993-1050), e então viajou três vezes à Índia e quatro vezes para o Nepal à procura de ensinamentos religiosos. Ele estudou aos pés de cem e oito mestres espirituais e peritos, principalmente Naropa e Maitripa. Marpa recebeu os ensinamentos da linhagem tantrica chamada as Quatro Linhagens Comissionadas (bK'n-babs-bzhi) - relativa ao Corpo Ilusório e a Transferência de Consciência, Sonhos, Luz Clara, e Calor Interno diretamente de Naropa (1016-1100), que tinha sido instruído nestes por seu professor Tilopa (988-1069). Sua fonte original era o Buddha Vajradhara.

Marpa trouxe estas linhagens ao Tibet, passando-as então para seu discípulo mais adiantado Milarepa (1040-1123), o mais célebre e realizado dos iogues tantricos do Tibet que alcançou a derradeira meta da iluminação em uma só vida. A Milarepa foi determinado a responsabilidade pela linhagem de sua meditação e outros como Ngog Choku Dorjey, Tsurton Wangey e Meton Chenpo se tornaram os mantenedores dos ensinamentos da linhagem de Marpa. Isto é como o sistema dual de treinamento filosófico (bShad-grva) e o treinamento da meditação (sGub-grva) se encontra estabelecido nos monastérios Kagyu. Entre os discípulos de Milarepa, Gampopa (1084-1161), também conhecido como Dagpo Lhaje e Rechungpa (1084-1161) eram os mais ilustres. O primeiro recebeu de Milarepa, os ensinamentos e a prática do Grande Selo (Mahamudrn) e os Seis Yogas de Naropa, e os sintetizou em uma só linhagem que veio a ser conhecida como Dakpo Kagyu, a linhagem mãe da tradição Kagyu. Gampopa também abriu caminho para uma fusão da tradição Mahamudra de Milarepa com as fases da tradição do caminho originário da ordem Kadampa. As Jóias Ornamentos da Liberação de Gampopa são proeminentes entre as fases da literatura do caminho Tibetana. A linhagem Kagyu Mahamudra foi mais tarde incorporada na tradição Gelug pelo Primeiro Panchen Lama, Lobsang Chökyi Gyeltsen (1570-1662) e é conhecida como a Tradição Ganden-Kagyu do Mahamudra.

A tradição Dakpo Kagyu causou o surgimento das quatro escolas principais fundadas por discípulos ilustres de Gampopa. Estas são: a Tselpa (Tshal-pa) Kagyu fundada por Zhang Yudakpa Tsondu Dakpa (1123-1193), onde o professor principal era Wangom Tsultrim Nyingpo. Este fundou o monastério de Gungthang e teve muitos discípulos instruídos. A Barom (' Ba-rom) Kagyu foi fundada por Barom Darma Wangchuk. Ele construiu o monastério Barom do qual a tradição levou seu nome. A Phagtru (`Phag-gru) Kagyu foi fundada por Phagmo Trupa Dorje Gyelpo (1110-1170). Ele era um dos discípulos principais de Gampopa particularmente notado por sua realização e transmissão dos ensinamentos Mahamudra. Muitos dos seus discípulos atingiram a alta realização, como Taglung Thangpa, Kalden Yeshi, Ling Repa Pema Dorjey, Jigten Gonpo e Kher Gompa. Phagmo Trupa também construiu um monastério na localidade de Phagmo que mais tarde recebeu o nome de Densa Thil. Muitas sub-escolas cresceram da linhagem de seus discípulos.

A Kamtsang ou Karma Kagyu foi fundado pelo primeiro Karmapa, Dusum Khyenpa (1110-1193). Esta tradição permaneceu forte e próspera, devido em grande parte, à presença de uma linha irrompível de reincarnações do fundador, os Karmapas sucessivos. Famoso entre eles está o Segundo Karmapa, Pakshi (1206-1282), o terceiro Karmapa, Ranjung Dorjey (1284-1339) e o Oitavo Karmapa, Mikyo Dorjey (1507-1554). A mais recente incarnação foi o XVI Karmapa, Ranjung Rigpe Dorjey (1924-1981), que no exílio, também foi designado o chefe de toda a tradição Kagyu. No Tibet, em Tsurphu, situado no Tibet Central está o monastério principal desta tradição. Depois de entrar no exílio, a tradição restabeleceu sua sede e sua principal universidade monástica em Rumtek, no Sikkim. Também se desenvolveram centenas de centros por todo o mundo. Na ausência de uma incarnação atual de Gyalwa Karmapa quatro lamas da alta hierarquia que eram seus discípulos estão agindo como regentes. Eles são Shamar Rinpoche, Gyaltsab Rinpoche, Situ Rinpoche e Jamgon Kongtrul Rinpoche.

Em 27 de Junho de 1992, o Governo Chines oficialmente permitiu o reconhecimento de Ugyen Trinley Dorje como a 17ª reincarnação do Karmapa. Esta foi a primeira vez que o governo comunista permitiu o reconhecimento de um lama reincarnado. A raspagem da cabeça e a cerimônia de nomeação aconteceu em Lhasa no famoso Templo de Jokhang. Foi a segunda vez que um Karmapa recebeu esta ordenação lá.

O entronamento ocorreu em 27 de Setembro de 1992, onde mais de 20,000 peregrinos se reuniram. Sua Santidade concluiu o entronamento dando sua benção pessoal para a multidão que cercava o mosteiro. O entusiasmo e o grande número de pessoas que tentava entrar no mosteiro fêz com que as bençãos continuassem no dia seguinte. No dia seguinte cerca de 25,000 pessoas enfileiraram diante do Dalai Lama para receber sua benção pessoal.  No dia seguinte, o 17º Karmapa deu seu primeiro ensinamento sobre o Chenrezig Vermelho.

Desde de sua chegada à Tsurphu em 1992, Sua Santidade o Karmapa se envolveu principalmente com o s estudos do dharma. Esta educação começou sob a direção de Sua Eminência Tai Situ Rinpoche; Sua Eminência Goshir Gyaltsab Rinpoche; e do Abade de Tsurphu, o falecido Drupon Dechen Rinpoche. Umdze Tubten Zangpo, quem serviu o 16º Karmapa nos mosteiros de Tsurphu e Rumtek, foi o tutor de leitura de Sau Santidade até a sua morte em 1997. Outros monges e lamas instruídos, incluindo o Lama Nyima, continuaram a tutorar Sua Santidade.

Oito sub-escolas se desenvolveram dentro da escola Phagdu Kagyu. A Drikung (' Brigung) Kagyu, fundada por Drikung Kyopa Jigten Gonpo (1143-1217) é encabeçada agora pelo 37º Sucessor, Drikung Kyabgon Che-Tsang (1946-___), que reside em seu monastério em Ladakh. A Taglung (sTag-lung) Kagyu, fundada por Taglung Thangpa Tashe Pel (1142-1210). O atual chefe desta escola é Shabdrung Rinpochey que agora vive em Sikkim. A Drukpa ('Brug pa) Kagyu também fundada por Choje Gyare Yeshe Dorjey conhecido como Ling Repa (1128-1189), é encabeçada pelo 12º Drukchen Rinpochey que restabeleceu seu monastério em Darjeeling, Índia.

Entre as oito sub-escolas somente três sobrevivem até o dia presente, com a Drukpa por ser numericamente a maior, seguida por Drikung. Infelizmente outras subseitas da tradição Kagyu como a Trophu (Khrophu) fundada por Rinpochey Gyaltsa, um sobrinho de Phagmo Trupa que construiu o monastério de Trophu; Martsang (sMar-tsang) fundada por Marpa Rinchen Lodoe; a Yelpa (Yel-pa) estabelecida por Yelpa Yeshe Tseg; a Shungseb (Shugs-gseb) começada por Chökyi Sengey e a Yamzang (gYa'abzang) Kagyu fundada por Yeshi Senge deixaram de existir, pelo menos como instituições separadas. Embora alguns lamas das outras principais tradições Kagyu  ainda mantêm algumas de suas linhagens de ensinamentos.

A Shangpa Kagyu, um das duas formas originais da tradição Kagyu, foi fundada pelo grande adepto, Khyungpo Nyaljor (978-1079). Desconte com seu treinamento nas práticas Bön e Dzogchen, Khyungpo Nyaljor foi para o Nepal onde ele conheceu o Acharya Sumati. Deste, ele recebeu treinamento como tradutor e viajou para a Índia. É dito que ele havia dominado a doutrina exotérica e esotérica inteira como também a meditação sobre ela depois de ter recebido ensinamentos de cento e cinqüenta escolares-adeptos. Seus professores principais incluem Sukhasiddha, Rahulagupta e Niguma, a consorte de Naropa. Além de receber orientação prática de mestres em forma de humanos, ele recebeu também transmissões das Dakinis (os seres celestiais). Depois de voltar ao Tibet, ele recebeu os votos de um monge Mestre Langri Thangpa da escola Kadampa.

Conforme as profecias das Dakinis, ele estabeleceu o monastério de Shang-Shong em Yeru Shang, noTibet central. Como resultado, a tradição que ele fundou veio ser conhecida como Shangpa Kagyu. Depois, é dito que ele também estabeleceu outros monastérios adicionais. No início havia mais que cem monastérios que pertenciam a esta tradição noTibet. Entre seus seguidores, Mehu Tonpa, Mogchogpa e Shang Gomcho Sengey são alguns dos mais famosos. Entre a linhagem posteriores, foi surton Wangi Dorje, de quem Buton Rinchen Drup obteve a linhagem tantrica Guhyasamaja que foi transmitida para Tsongkhapa subseqüentemente.

As principais práticas da escola Shangpa Kagyu dizem respeito à Mahakala, Chakrasambhava, Hevajra, Mahamaya, Guhyasamaja, as Seis Doutrinas de Niguma, Mahamudra, e outros. O principal expoente contemporâneo desta tradição foi Kalu Rinpoche (1905-1989), um dos principais mesmtras de meditação da escola Kagyu deste século. Deve-se notar que enquanto há muitas sub-escola dentro das Kagyupas, os princípios fundamentais de suas doutrinas se baseiam o Mahamudra e nas Seis Yogas de Naropa. As diversas escolas surgiram somente devido as abordagens individuais ligeiramente diferentes dos ensinos fundamentais.

Mahamudra, a característica sem igual da tradição Kagyu, pode ser explicada de acordo com as interpretações dos sutras e tantras. No contexto da prática tantrica, a aplicação do Mahamudra fica muito mais profunda e sofisticada.

O treinamento dos monges em monastérios Kagyu consiste principalmente no estudo da Perfeição de Sabedoria, Madhyamika, Cognição Válida, Disciplina e Phenomenologia comuns a todas as tradições, a não ser que cada tradição tenha seus próprios textos monásticos e comentários para facilitar o entendimento dos textos Indianos originais.

O atual Chefe da tradição Karma Kagyu é S.S.XVII GYALWA KARMAPA OGYEN DRODUL TRINLEY DORJE.

A Tradição Gelug

A tradição Kadampa fundada por Atisha foi a fonte principal de inspiração para o desenvolvimento da tradição Gelug fundada por Je Tsongkhapa (1357-1419). Ele nasceu na regiãoTsongkha na província de Amdo. Com três anos ele recebeu a ordenação completa do Quarto Karmapa , Rolpey Dorjey, e o nome de Kunga Nyingpo. Aos sete anos ele recebeu os votos noviços de seu mestre, Chöjey Dhondup Rinchen, e lhe foi dado o nome de Lobsang Drakpa. Mesmo nesta idade precoce ele recebeu muitos ensinamentos e iniciações de Heruka, Yamantaka e Hevajra, e podia recitar de cór textos como A Expressão dos Nomes de Manjushri.

Tsongkhapa viajou extensivamente à procura de conhecimentos e estudou com mestres de todas as tradições existentes começando com Chennga Chökyi Gyelpo, de quem recebeu os ensinamentos nos tópicos como a mente da iluminação e o Grande Selo (Mahamudra). Könchok Kyab lhe ensinou tratados médicos em Drikung. Em Nyethang Dewachen ele estudou Os Ornamentos para uma Clara Realização e a Perfeição da Sabedoria e, sobresaindo-se nos debates, ele se tornou conhecido por sua erudição. Ele também viajou até Sakya onde ele estudou a disciplina monástica, fenomelogia, cognição válida, O Caminho do Meio e Guhyasamaja com lamas proeminentes tais como Kazhipa Losel e Rendawa. Ele também recebeu transmissões das Seis Doutrinas de Naropa, o Kalachakra, Mahamudra, o Caminho e seus Frutos, Chakrasamvara e numerosos outros e os transmitiu todos à seus discípulos.

Além de seus estudos e ensinamentos ele se ocupou de extensos retiros para meditação. O mais longo, em Wolkha Cholung, durou quatro anos durante os quais ele foi acompanhado por oito discípulos íntimos. Ele tem a reputação de ter executado milhões de prostrações, oferendas de mandala e outras formas de prática de purificação. Tsongkhapa freqüentemente tinha visões de deidades de meditação e especialmente de Manjushri, com quem ele poderia comunicar-se para resolver suas dúvidas sobre aspectos profundos dos ensinamentos. 

Tsongkhapa estudou com mais de cem professores, praticou extensivamente e ensinou a milhares de discípulos principalmente nas regiões centrais e orientais do Tibet. Além disto, ele escreveu muito. Seus trabalhos, totalizando dezoito volumes, continham cem títulos relativos a todos os aspéctos dos ensinamentos Budistas e clareava alguns dos tópicos mais difíceis do Sutrayana e dos ensinamentos Mantrayana. Seus trabalhos principais são: A Grande Exposição das Fases do Caminho (Lam-rim chen-mo), A Grande Exposição dos Tantras (sNgag-rim chen-mo), A Essência da Eloqüência nos Ensinos Interpretivos e Definitivos (Drnng-nges legs-bshad snying-po), O Elogio da Relatividade (rTen - 'brel bstodpa), A Exposição Clara das Cinco Fases do Guhyasamaja (gSang -'dus rim-lnga gsal-sgron) e O Rosário Dourado (gSer-phreng) .Entre os muitos de seus discípulos principais, Gyeltsab Dharma Rinchen (1364-1432), Khedrub Geleg Pelsang (1385-1438), Gyalwa Gendun Drup (1391-1474), Jamyang Chöjey Tashi Pelden (1379-1449), Jamchen Chöjey Shakya Yeshe, Jey Sherab Sengey e Kunga Dhondup (1354-1438) são alguns dos mais significantes.

Tsongkhapa faleceu finalmente com idade de sessenta anos no vingésimo-quinto dia do décimo mês Tibetano, confiando seu trono em Ganden à Gyeltsabjey. Assim começou uma tradição que continua até os dias de hoje. O nonagésimo-nono sucessor do trono de Ganden, e assim, a cabeça formal da Ordem Gelugpa, é o Ven. Yeshi Dhondup.

O maior Monastérios Gelugpa no Tibet é o Monastério de Ganden fundado pelo próprio Tsongkhapa em 1409 e foi dividido em dois colégios, o Shartsey e o Jangtsey. Jamyang Chöje Tashi Pelden fundou Monastério de Drepung em 1416. Em certa época ele chegou a ter sete filiais mas estes foram amalgamados posteriormente em quatro Loseling, Gomang, Deyang e Ngagpa. Destes, somente dois colégios, o Drepung e o Gomang sobreviveram até o tempo presente. Um dos filhos espirituais de Tsongkhapa, Jamchen Chöjey Shakya Yeshi estabeleceu o Monastério de Sera em 1419. Ele tinha cinco colégios nos quais foram amalgamados posteriormente em dois -  o Sera-Jey e o Sera-Mey. Semelhantemente, Gyalwa Gendun Drup, o Primeiro Dalai Lama, fundou o Monastério de Tashi Lhunpo, em Shigatse em 1447 que se tornou o trono dos Panchen Lamas sucessivos. Ele tinha originalmente  quatro colégios. 

O Colégio Tantrico Inferior, Gyumey, foi estabelecido por Jey Sherab Sengey em 1440, e o Colégio Tantrico Superior, Gyutö por Gyuchen Kunga Dhondup em 1474. Nos tempos aureos havia mais de cinco mil monges em cada uma das universidades monásticas ao redor de Lhasa, Ganden, Drepung e Sera, enquanto havia pelo menos quinhentos monges em cada colégio tantrico. Homens jovens viajariam de todas as três regiões de Tibet para se matricular nestss universidades monásticas como monges para receber uma educação e treinamento espiritual. 

Em geral, o currículo abrangia estudos dos cinco principais tópicos- a perfeição da sabedoria, a filosofia do Caminho do Meio, cognição válida, fenomenologia e a disciplina monástica. Estes cinco tópicos eram estudados meticulosamente pelo método dialetico usando textos Indianos como também comentários de Tibetanos e Indianos à eles, freqüentemente em livros de ensino únicos de cada tradição monástica, por um período de quinze a vinte anos. Ao se completar este treinamento, um monge é premiado com um dos três níveis do grau de Geshey (Doutor em Filosofia Budista), Dorampa, Tsogrampa e Lharampa dos quais o mais alto é o grau Geshey de Lharampa.

Subseqüentemente, se ele assim o desejar, o Geshey pode unir-se a um dos colégios tantricos para estudar os tantras e assim completar seus estudos formais, ou ele pode voltar ao seu monastério local para ensinar, ou se retirar em exclusão para se ocupar da meditação intensiva. Um monge que completou o treinamento de um Geshey é respeitado como sendo um mestre espiritual completamente qualificado e autorizado, merecedor de devoção e estima.

Esta tradição permanece dinâmica até mesmo depois do exílio. Os principais monastérios Gelug , Sera, Drepung, Ganden, e os monastérios Tashi Lhunpo e o Colégio Tantrico Gyumey foram re-estabelecidos  em vários assentamentos Tibetanos em Karnataka, e o Colégio Tantrico Gyutö foi re-estabelecido em Bomdila, Arunachal Pradesh, todos na Índia.

                      

                         Drepung Loseling                                Tashi Lhunpo                                                                     Ganden   

A Tradição Nyingma

A Escola Nyingma do Budismo Tibetano localiza sua origem no adepto Indiano, Guru Padmasambhava que foi ao Tibet em 817 C.E. a convite do Rei Trisong Deutsan (742-797) para subjugar as forças maléficas que impediam a expansão do Budismo naquela época. Guru Rinpoche, como era popularmente conhecido, confinou todos os espíritos com maldições e os transformou em forças compatíveis com a expansão do Budismo. Em colaboração com o grande Abade Bodhisattva  Shantarakshita, Guru Rinpoche construiu o monastério de Samyey que se tornou o centro principal de aprendizagem de então e o local onde muitos dos textos que comporiam a vasta literatura budista  do Tibet foram primeiro traduzidos para o Tibetano.

Guru Rinpoche também deu amplos ensinamentos das classes mais altas do tantra para seus vinte e cinco principais discípulos. Estes primeiros adeptos Tibetanos são renomados por suas realizações espirituais, por exemplo, Namkhe Nyingpo pelo feito de ter viajado em feixos de luz, Khandro Yeshe Tsogyal por reavivar um morto, Vairochana por sua intuição, Nanam Yeshe por planar no céu, Kawa Peltseg por ler os pensamentos dos outros e Jnana Kumara por seus poderes milagrosos.

Mestres Indianos contemporâneos Vimalamitra, Buddhaguhya, Shantipa e o adepto tantrico, Dharmakirti, também vieram ao Tibet para expandir os ensinamentos tantricos. Assim, embora o estudo da lógica e filosofia budista não fossem contudo prevalecentes, a prática do tantra, em segredo extremo, era muito encorajada. Até mesmo o trabalho de tradução detais textos esotéricos como o Kun-byed rgyal-po, o mDo-dgougs - ' dus e o Ciclo dos Ensinamentos Mahamaya por Vairochana, Nyag Jnana Kumara, Nubchen Sangye Yeshe e outros foram executados em grande segredo. 

Vendo os discípulos imaturos e o tempo impróprio para muitos dos outros ensinamentos que ele tinha que revelar, Guru Padmasambhava escondeu centenas de Tesouros nas formas de escrituras, imagens e artigos de rituais, com instruções para a revelação deles para o benefício de gerações futuras. Subseqüentemente, mais de cem mestres revelaram estes Tesouros e os ensinaram aos seus discípulos. Assim, além dos ensinamentos tantricos, foram estas linhagens de ensinamentos revelados combinadas com a doutrina Dzogchen ou da Grande Conclusão ensinados e disseminados sucessivamente por Garab Doyjer, Shri Simha, Guru Rinpochey, Jnana Sutra, Vimala Mitra que são distinguidas noTibet como a doutrina Nyingma.

A tradição Nyingma divide os ensinamentos Budistas inteiros em Nove Veículos: os Três Veículos Comuns que incluem o Ouvidor, o  Realizador Solitário, e os Veículos do Bodhisattva que lidam com essas categorias de ensinamentos incluídos no sutras ensinados por Buddha Shakyamuni; o Três Tantras Exteriores que consistem no Tantra Kriya que coloca maior ênfase na prática de um comportamento externo apropriado, conduta física e verbal apontadas para a purificação e visualisação da prática simples; Upa Tantra que põe mais ênfase no desenvolvimento de faculdades externas e internas com a meta de alcançar uma afinidade mais profunda com a deidade meditacional; e o Tantra Ioga que é apontada principalmente para desenvolver a força da vitalidade psicofísica interna como ensinada por Vajrasattva. Finalmente, os Três Tantras Íntimos que incluem o Mahayoga, enfatizando principalmente a prática da Fase de Geração na qual, o nível ordinário de percepção e o apego é eliminado pela visão sagrada e orgulho divino; o Annuyoga, enfatizando a prática da Fase da Conclusão na qual o corpo vajra é usado como um dos meios úteis para atualisar a consciência primordial e o Atiyoga nos quais toda a ênfase é dirigida à completa ativação das práticas dos estágios de geração e conclusão , capacitando o yogi a transcender todo o tempo ordinário, a atividade e a experiência, como ensinado por Buddha Samantabhadra.

Os seis primeiros destes nove veículos são comuns a todas as escolas do Budismo Tibetano, considerando que os últimos três, os Tantras Íntimos, são exclusivos à tradição Nyingma.

Devido às aproximações ligeiramente diferentes de várias linhagens para apresentar o Dzogchen, três sub-escolas se desenvolveram: A Escola da Mente (Sems-sde) é atribuída às linhagens Shrisimha e Vairochana, a Escola da Centralidade (kLong-sde) é atribuída a Longde Dorje Zampa, e às linhagens Shrisimha e Vairochana, considerando que a Escola de Instrução Requintada (Man-ngag-sde) é atribuída diretamente aos ciclos de ensinamentos e práticas da linhagem da Gota do Coração (sNying-thig) do Guru Padmasambhava. Embora Dzogchen seja uma característica sem igual de prática Nyingma, até mesmo entre os seguidores leigos da prática de recitar as orações de Guru Rinpoche, observando os 10º e os 25º dias de todo mês lunar, como um dia para oferendas de banquete, e se retirar, individualmente ou em companhia, até mesmo em um retiro de três anos e três meses é muito comum.

De acordo com a história da origem dos tantras há três linhagens: A Linhagem da Intenção de Buddha que recorre aos ensinamentos do Corpo da Verdade que origina do Buddha primordial Samantabhadra que contam que tenha ensinado os tantras a uma assembléia de seres completamente iluminados emanados do próprio Corpo da Verdade. Então, este nível de ensinamento é considerado como sendo completamente além do alcance de seres humanos ordinários. A Linhagem dos Mantenedores do Conhecimento corresponde aos ensinamentos do Corpo de Prazer que origina de Vajrasattva e Vajrapani cuja linhagem humana começa com Garab Dorje da terra da Dakini Ögyan. Dele a linhagem passou a Vairochana que a disseminou noTibet. Por último, a Linhagem do Sussurro Humano que corresponde aos ensinamentos do Corpo da Emanação, que se originou das Famílias dos Cinco Buddhas. Eles foram passados para Shrisimha que os transmitiu a Guru Rinpoche, que, por sua vez, os deu a Vimalamitra que começou a linhagem que continuou no Tibet até os dias de hoje. 

Este último modo de transmissão é empregado comumente para pessoas ordinárias. Porém, as duas linhagens anteriores ainda podem existir entre os mestres Dzogchen altamente realizados. 

Ainda há outra tradição que enumera seis linhagens para a origem dos tantras somando: a Linhagem da Instrução Comissionada (bK'a-babs lung-bstan-gyi-btgyud-pa), a Linhagem da Doutrina do Tesouro Afortunado (Las - 'phrn gter-gyi-brgyud - pa) e a Linhagem dos Depositários Estabelecidos Por Orações (sMon-lam gtad-rgya'i - brgyud-pa).

A literatura tantrica Nyingma  e sua transmissão é classificada em três grupos: o Oral, Tesouros, e Visões. Estes três podem ser incluídos em duas categorias: a Oral que englobava principalmente os tantras e os textos associados pertencentes ao ciclo dos tantras Mahayoga; a raiz e o tantra explanatório que pertencem ao ciclo dos tantras Annuyoga; e finalmente, o Atiyoga ou ciclo Dzogchen dos tantras.

A transmissão do Tesouro inclui os textos inumeráveis do tesouro  revelados pelos Mestres do Tesouro subseqüentes, que foram escondidos pelo próprio Guru Rinpoche no século IX como também numerosos ensinamentos revelados depois através das mentes iluminadas e visões meditativas de Mestres Nyingma. Centenas de mestres revelaram tesouros. Entre eles, Nyangral Nyima Özer (1124-92), Guru Chowang (1212-70), Dorje Lingpa (1346-1405), Padma Lingpa (b.1405) e Jamyang Khyentse (1820-1892) são famosos como os Cinco Reis dos Mestres do Tesouro. Suas revelações tesouro diziam principalmente, entre outras coisas, sobre os ciclo de ensinamentos e meditações relacionados a Avalokiteshvara, aos sadhanas de Guru Rinpochey, aos ensinamentos Dzogchen, ao ciclo de ensinamentos Ka-gyey, ao ciclo de ensianmentos Vajrakila ou ciclo de ensinamentos Phurba, à medicamentos e profecias.

Conseqüentemente, além do cânone Budista Mahayana standard  do Kangyur e Tangyur, podem ser achados muitos ensinamentos adicionais na Coleção dos Cem Mil Tantras Nyingma, compilados no século XIII por Tertön Ratna Lingpa (1403-1473) e organizado por Kunkhyen Longchen Ramjampa (1308-1363). Além disto, numerosos trabalhos como os sessenta volumes do Rinchen Terdzod compilados por Kongtrul Yonten Gyatso (1813-1899) e as escritas de Rongzom, Dodrupchen, Paltrul, Mipham e muitos outros que foram acrescentados à rica coleção da literatura Nyingma. A mais velha instituição Nyingma é templo de Samyey completado em 810 D.C. por Shantarakshita e Guru Padmasambhava sob o patronato do Rei Trisong Deutsan. Subseqüentemente, nenhum monastério grande foi construído até o século XII, quando Monastério Nechung foi construído no Tibet Central por Chokpa Jangchub Palden e o Monastério Kathok que foi fundado em Kham por Ka Dampa Desheg (1112-92) em 1159. Esta é uma indicação que diferente das outras tradições Budistas os Nyingmapas não foram institucionalizados até muito posterior em suas história. A partir do século XV, foram construídas grandes universidades monásticas, como Mindroling, fundada em 1676 por Rigzin Terdag Lingpa. Dorje Drag fundada em 1659 por Rigzin Ngagi Wangpo no Tibet central; e Palyul estabelecida por Rigzin Kunsang Sherab em 1665; Dzogchen construída por Dzogchen Pema Rigzin em 1685 e Zhechen estabelecida por Zhechen Rabjampa em 1735, todas na província de Kham. Os monastérios Dodrupchen e Darthang foram estabelecidos em Amdo.

As princiapis Instituições monásticas restabelecidas no exílio são Thekchok Namdrol Shedrub Dargye Ling, em Bylakuppe, Karnataka; Ngedon Gatsal Ling, em Clementown, Dehradun; Palyul Chokhor Ling e E-Vam Gyurmed Ling em Bir, e Nechung Drayang Ling em Dharamsala, e Thubten E-vam Dorjey Drag em Shimla, Himachal Pradesh, Índia.

A tradição Nyingma é encabeçada agora por Dilgo Khyentse Rinpoche que sucede Kyabje Dudjom Rinpoche (1904?-1987). Minling Trichen Rinpoche, Trulzhig Rinpoche, Taglung Tsetrul Rinpoche e Penor Rinpoche são alguns dos mestres espirituais vivos.

NB. O atual Chefe Nyingmapa é Sua  Santidade Penor Rinpoche.

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Criada em 28 Jul 2000

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Última Atualização em 27 fev 2003