O BUDISMO TIBETANO

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Sakyamuni

O Budismo Tibetano tem exercido uma profunda influência sobre o povo Tibetano. O Budismo se espalhou no Tibet no século VII durante a época aurea de vigor e expansão de seu reinado e gradualmene se infiltrou na história, na política, economia, cultura hábitos e costumes do Tibet, para se tornar a religião mais praticada pelos Tibetanos. O Budismo havia se originado a mais de mil anos na fronteira entre Índia e Nepal, a partir das palavras do Asceta Gautama, um nobre de nascimento, a quem seus seguidores chamavam de Buda, "O Iluminado", e também de Sakyamuni, "pertencente à Clan Sakya" (provavelmente 563-480 A.C.) Seus ensinamentos continham as chamadas "Quatro Verdades Nobres" :

1. que o sofrimento (dukkha) era uma parte inevitável da vida; e são eles:

* trauma de nascimento

* doença

* velhice

* medo da aproximação da morte

* ficar separados de quem amamos

* ficar atado ao que odiamos

2. que o sofrimento se origina do desejo (tanha);

3. que a cura para o sofrimento é a remoção do desejo;

4. e que a superação do desejo, e consequentemente do sofrimento, se torna possível seguir o "Caminho das Oito Virtudes" :

       loz.gif (861 bytes) Compreensão correta (livre da superstição e desilusão,

através da compreensão das Quatro Verdades Nobres)

       loz.gif (861 bytes) Pensamento correto (elevados e úteis da inteligencia humana,

para por a vida num caminho correto)

       loz.gif (861 bytes) Fala correta (gentil e verdadeira. Que consiste em:

* Não mentir

* Não criticar os outros injustamente

* Não usar linguagem grosseira

* Não comentar sobre a vida alheia)

       loz.gif (861 bytes) Ações corretas (pacíficas, honestas e puras, seguindo os "Cinco Preceitos")

Os Cinco Preceitos:

1. Não matar

2. Não roubar

3. Não mentir

4. Não ser desonesto

5. Não tomar drogas ou beber intoxicantes

       loz.gif (861 bytes) Vida correta (não trazendo injúria ou perigo para qualquer ser vivo)

       loz.gif (861 bytes) Esforço correto (em auto-treinamento e auto-controle, através da:

* conquista dos pensamentos maléficos

*  esforço para se manter os bons pensamentos)

       loz.gif (861 bytes) Comprometimento correto (tendo uma mente ativa e alerta)

        loz.gif (861 bytes) Concentração correta (em meditação profunda das realidades da

vida, se tornando inteiramente consciente de todos os estados corporais, emocionais e mentais)

bell.gif (4021 bytes)   Dharma -  Ensinamentos de Buda

O progresso espiritual acontece com a sucessão de reencarnações, cuja natureza é governada pela lei do Karma - bons ou maus feitos e suas conseqüências. Moralidade (ação correta) contribuindo para a extinção do karma, a proibição de se tira uma vida, humana ou animal, a proibição de furto e mentira, apreciação à castidade e culto ao amor universal.

Por volta do século III A.C. a comunidade se tornou dividida quanto aos princípios da fé Budista e,  se dividiu em vários grupos. Dois mais fundamentais e que permanecem até hoje: o Hinayana - "o Veículo Menor", chamado por seus seguidores de Theravada, "o Caminho dos Antigos"- mais conservador, possivelmente mais próximo dos ensinamentos de seu fundador e que se espalhou mais pelo Sul e Sudeste da Ásia; e o Mahayana - "o Veículo Maior", que se espalhou pelo Norte da Índia, Kashmir, Ásia Central, China, Koreia, Japão- e Tibet.

As diferenças que separam as duas versões da fé Budista são muitas e importantes. Mas, em resumo, nas Escolas Theravada o Buda histórico matém sua posição central, a salvação é definitivamente mais importante do que qualquer outro problema metafísico e, uma pessoa a procura de salvação se empenha em alcançar o estado de Arhat, "o Precioso", o "Não-retornante" que alcançou a benção serena chamada Nirvana através da extinção do Karma. As Escolas Mahayana vê o Buda histórico como uma encarnação primordial de um Buda eterno e cósmico, e há um rico desenvolvimento do pensamento metafísico e uma prodigiosa proliferação de entidades celestiais (Budas eternos e suas emanações, deidades, maiores e menores, protetores da Fé, santos e seus discípulos, anjos, sêres míticos); e o ideal Arhat dá lugar ao ideal Bodhisattva. Um Arhat alcança a salvação e aceita sua beatitude individual; um Bodhisattva, pelo contrário, alcança a iluminação mas adia o recebimento da benção celestial, permanecendo ativamente presente na roda cíclida de morte e renascimento até que todo ser sensciente tenha completamente se libertado do sofrimento.

O Budismo Mahayana denota a existência de cinco grandes eras cósmicas (kalpas) espalhados pelos aeons do tempo. Nós estamos no 4º kalpa. Cada era é presidida por um Buda Celestial, um Bodhisattva Celestial e suas encarnações humanas. Nosso kalpa está sob o auspícios do Buda Supremo Amitabha ou Opame (tib.) e o Bodhisattva Avalokitesvara ou Chenresi (tib.), que significa "Aquele que olha para baixo", e uma encarnação passada desta entidade celestial foi o asceta Gautama. O Dalai Lama é considerado a recente encarnação de Chenresi e o Abade do Mosteiro de Trashilungpo, o Panchen Lama, a encarnação de Opame.

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Buda Supremo Amitabha

ou Opame (tib.)

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Bodhisattva Avalokitesvara ou Chenresi (tib.)

 

FORMAÇÃO DO BUDISMO TIBETANO

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A RELIGIÃO BON

A religião Bon é uma seita de xamanismo anímico, um culto panteísta cuja crença é de que todos os sêres vivos possuem alma. Ela prevalecia no Tibet antes da introdução do Budismo no séc. VII. Depois disto o Budismo Tibetano absorveu algumas crenças e rituais do Bonismo, cmo a dependencia no oráculo, astrologia e panteísmo. Por exemplo, as seleções dos Tulkus (reencarnações) começava com um oráclo, astrologia, observações de visões em lagos sagrados, e algumas vezes os serviços de um oráculo-monje eram requisitados. Por outro lado o Bonismo foi modificado para o modelo Budista para se tornar um ramo do Budismo Tibetano, a seita preta.

Estágios do Bonismo

O Bonismo Original

De acordo com a lenda o Bonismo foi criado por Tenpa Sherab, um contemporâneo de Buda, em um país místico conhecido por 'Tag-gzig', em algum lugar em Ali (Alto Shangshung).

O Bonismo acreditava que no início da criação haviam dois ovos, um branco e outro preto. Os dois ovos quebraram - e do ovo branco sairam os deuses, humanos, etc, e do preto saíram os parasitas, os demônios, etc.

O Bonismo Yungdrung

De acordo com a maioria dos Tibetólogos, o emblema Yungdrung (a suástica nazista que é um emblema Budista) foi introduzido no Tibet juntamente com o Budismo no séc. VII.O Bonism Yungdrung adotou este emblema como sua marca e sistematizou as doutrinas que incluíam o caminho para rezar por boa fortuna, medicina, vitória nas guerras, e como arrajar um ritual aprooriado para um funeral, e ainda métodos de mágica para discernir o verdadeiro do falso, e o culpado do inocente.

O Bonismo Jo

O 5º Rei do Tibet, Khri-srong-de-tsan, da dinastia Tubo difundiu o Budismo no Tibet e era o inimigo público do Bonismo. De acordo com alguns livros, isto foi o que causou o colápso da Dinastia Tubo.

Os Budistas Tibetanos, liderados por Padmasambhava, proclamou as Deidades Bonista como as deidades menores do Budismo, adotou as crenças e rituais Bonistas, e permitiu que se comesse carne.

O Desenvolvimento do Budismo no Tibet

 

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Terraço do Mosteiro de Jokhang (ao fundo Palácio de Potala)

Livros sobre a história do Budismo Tibetano tem registrado a seguinte lenda de como o Budismo se espalhou por terras Tibetanas: Em um certo dia no século V, Lhathothori Nyantzan, regente do Reinado de Tubo, estava descansando no topo do Monte Yungbo Lhakang. De repente ele se deparou com vários Tesouros Budistas caidos do céu. Enquanto o Rei Tubo não tinha a menor idéia do que era aquilo, uma voz misteriosa lhe informou que o 6º Tsampo (Rei) do Reino de Tubo saberia como usar aqueles objetos.

De acordo com  as tradições o Budismo chegou a Tibet por volta de 630 sob o reinado de Songtsan Gambo, o Rei Tubo do século VII, que se esforçou para estabelecer laços de amizade com os países vizinhos para fortalecer a economia e aprender  culturas avançadas. Neste processo ele se casou com a Princesa Bhrikuti Devi do Nepal e a Princesa Wencheng da Dinastia Tang da China (618-907). Cada Princesa viajou para o Tibet com uma estátua de Buda, e uma vez lá se empenharam para construir os Mosteiros de  Jokhang e Ramoge em  Lhasa. Artesãos que acompanharam a Princesa se envolveram na construção dos mosteiros, e monges Budistas por sua vez começaram a traduzir as escrituras Budistas. Assim o Budismo se espalhou no Tibet a partir das regiões do Nepal e Han.

O Tibet se viu envolvido por uma luta de poder por mais de meio século resultando a morte de Songtsan Gambo. O Budismo  falhou em florecer até que Tride Zhotsan, o bisneto de Songtsan Gambo, tomou o poder. Em  710, Tride Zhotsan pediu a mão e eventualmente se casou com a Princesa Jincheng da Dinastia Tang. A noiva mudou a estátua de Buda que a Princesa Wencheng havia trazido para o Tibet, para o Mosteiro de Jokhang. Enquanto isto, ela arranjou que monges que a acompanharam do Reino de Tubo que assumissem o mosteiro e as atividades religiosas. Ela se empenhou arduamente e finalmente conseguiu persuadir a corte de Tubo a aceitar os monges das regiões do Oeste e construiu vários mosteiros para acolhê-los. A situação se tornou instável com a resistência de seguidores da religião BON que fizeram de tudo (com assassinatos e retaliações) para obstruir a avanço do Budismo até o entronamento de Trisong Detsen, filho de Tride Zhotsan, em 775.

Trisong Detsan se apoiou no Budismo e como parte de seu esforço convidou Santarakshita e Padmasambhava, famosos monges da Índia e Kashmir, para pragar as Leis do Budismo iniciando-se a construção do Mosteiro de Samye em 799. Rasparam a cabeça de sete crianças nobres, e assim este mosteiro se tornou o primeiro mosteiro Tibetano a tosar os monges se tornando uma prática no sistema do Budismo Tibetano.

Trisong Detsen reuniu um número de eminentes mestres Budistas da China e Índia numa reunião importante conhecida com o Conselho de Lhasa e  enviou missionários à China para convidar monges a lecionar no Tibet.  Mahayana foi um deles e ficou  11 anos no Tibet lecionando sobre Budismo e completando nove Livros sobre o Budismo.

Os reis Tubo das Dinastias seguintes fizeram o máximo para promover o Budismo construindo mosteiros e financiando a tradução de Sutras Budistas. Ao mesmo tempo, eles garantiram aos monges uma receita real  e até os encorajou a se envolverem nos assuntos políticos para desencorajar o ministros que apoiavam a  religião BON, que em represália arranjaram o assassinato de Tritsong Detsen em 842. E seu irmão Lang Dharma, que reinou de 838 a 842, se tornou o novo Rei Tubo que adotou uma política de supressão do Budismo na região. Ruindo um vasto império e, por mais de 150 anos, revertendo-se barbarismo, desordem e ignorancia, sendo as atividades religiosas, culturais e literárias reduzidas a zero.

No iníco do Século X foi instaurada uma sociedade feudal no Tibet com cada um do ministros Tubo ocupando o território e assumindo o poder. Eles se empenharam em promover o Budismo para fortalecer os seus próprios reinados. E asim o Budismo foi reavivado no Tibet, entretanto o Budismo, na forma e conteúdo, diferia em mutio do Budismo Tubo. A velha luta entre o Budismo e a religião BON resultou que cada uma absorveu os pontos fortes da outra fazendo com que o Budismo emergisse e entrasse em um estágio de rápido desenvolvimento. Mas ainda graças aos esforços de um Rei Guge que se tornou um monge adotando o nome de Yeshe-Ö, "a Luz do Conhecimento", que temendo a dissonância com os ensinamentos ortodoxicos, enviou algumas pessoas para estudar na Índia. Entre elas  estava Rinchen Zangpo (958-1055) que se tornou um famoso tradutor dos textos sagrados para o Tibetano e fundador de vários templos e mosteiros. Yeshe-Ö foi também o responsável pelo convite ao Tibet do grande Padita Indiano Atisha (982-1055) que depois de uma série de recusas finalmente chega ao Tibet em 1042, instruindo um grande número de discípulos até a sua morte doze anos depois.

Os ensinamentos de Atisha tinha o objetivo de trazer a seus discípulos uma combinação harmoniosa de disciplina monástica, prática de rituais e desenvolvimento intelectual. E seu melhor discípulo foi Gyalwai Chungne, mais conhecido como Drom Tonpa (1004-1064) fundador do Mosteiro de Reting ao norte de Lhasa.

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Mosteiro de Samye

 

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Atisha (982-1055)

AS SEITAS

Depois do século XI o Budismo floreceu com toda força. O Tibet tendo perdido a sua unidade política e força militar, se viu fragmentado em numerosos e pequenos territórios independentes, continuamente lutando entre si, favorecendo assim o crescimento da influência religiosa sobre a população. E foi durante este período que o Budismo Tibetano se diversificou em um número de seitas incluindo a Nyingma, Gatang, Sagya, Gagyu, Zhigyed, Gyoyul, Gyonang, Kodrag and Xalhu. As últimas cinco eram realmente muito fracas lhes faltando um suporte político. Elas foram forçadas a juntar forças ou acabaram sendo anexadas por outras seitas. As seguintes cinco seitas ganharam uma popularidade expressiva:
Nyingma
A Escola Nyingma , a mais antigas das quatro tradições Tibetanas, tem as suas raízes nos ensinamentos do Mestre do  Século VIII AD, Padmasambhava, que viajou da Índia para o Tibet. Fundada no século XI é também conhecida como a Seita Vermelha sendo a mais antiga do Budismo Tibetano. Esta seita deu grande atenção para absorver alguns pontos da religião BON, e ao mesmo tempo, se empenhou para procura os sutras Budistas que o rei Dharma havia escondido com o objetivo de suprimir o Budismo. Baseda na prática do Budismo profundamente enraizado no Reinado Tubo do século VIII, a seita se denominou Nyingma que significa anciã ou antiga na lingua Tibetana. Os monges da Seita Nyingma usavam chapéus vermelhos daí sendo chamada de SEITA VERMELHA. Eles advogavam o estudo do Tantrismo.
Gatang
Fundada em 1056, se ocupava com o estudo de ensinamentos exotéricos, com enfase no Tatrismo. Na lingua Tibetana Ga se refere aos ensinamentos de Buda; e tang significa instrução. A combinação Gatang logo se refere em orientar o povo a aceitar o Budismo baseado nos ensinamentos de Buda Suas doutrinas foram promovidas amplamente e exerce uma grande influência em várias outras seitas do Budismo Tibetano.Entretanto com o surgimento da Seita Gelug no século XV, a seita Gatang dissolveu seus monges e mosteiros e se uniu à seita Gelug.
Sakya

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Mosteiro Sakya

Sagya significa "terra branca"na lingua Tibetana. A Seita  Sakya, fundada em 1703, derivou o seu nome do fato de seu mais famoso mosteiro, o Mosteiro Sakya, ser de cor branca acinzentada. Ao redor dos mosteiros Sakya são pintados com tiras nas cores vermelha, branca e preta, simbolizando respectivamente a Sabedoria de Buda, a Deusa da Compaixão e a mão Adamantina de Buda. Assim a Seita também é conhecida como a Seita das Tiras.
Kagyu

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S. S. o 17º Gyalwa Karmapa, Ogyan Drodul Trinley Dorje.

A Escola Kagyu, outra das quatro maiores tradições Tibetanas foi fundada no Século XI AD pelo educador e tradutor Tibetano Marpa. Marpa viajou três vezes sobre os Himalaias para a Índia, onde ele passou duas décadas estudando as escolas do pensamento Indiano. A Escola Kagyu tem se desenvolvido através dos séculos principalmente da linhagem dos KARMAPAS, conhecida como a linhagem Karma Kagyu , que começou com o Karmapa Dusum Khyenpa (1110-1193) e é representado hoje por Sua Santidade o 17º Gyalwa Karmapa, Ogyan Drodul Trinley Dorje.

Fundada no século XI evidencia o estudo do Tantrismo e prega que os princípios Tantricos sejam passados oralmente de geração a geração. Gagyu na lingua Tibetana significa "passada oralmente" . Marba e Milha Riba, os fundadores da Seita Kagyu, usavam mantos brancos quando praticavam o Budismo, daí o nome de Seita Branca. No primordios a Seita Branca era dividida em Xangba Kagyu que se extinguiu no século XIV, e Tabo Kagyu. Esta última era poderosa e se tornou dominante.

Os ensinamentos das Escolas Nyingma e Kagyu são famosos pela riqueza de seus interêsses nos campos da filosofia da mente e a ciência da meditação, e são únicas em suas abordagens pragmática sem aplicar esses campos do conhecimento numa grande variedade de aspectos da vida cotidiana.

Os educadores Nyingma e Kagyu, como Longchenpa e Mipham na tradição Nyingma e cada um dos sucessivos Karmapas na tradição Kagyu, escreveram muitos trabalhos extraordinários. Estes trabalhos literários não só fazem parte da educação tradicional Tibetana como também são relevantes para os educadores contemporâneos de todo o mundo.

Gelug

 

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Guru Rinpoche

Foi a mais famosa seita na história do Budismo Tibetano fundada em 1409 durante a reforma do Budismo iniciada por  Tsongkhapa. O próprio Tsongkhapa nasceu numa época quando Pagmo Zhuba restabeleceu o Regime Sakya no poder. Naquela época, a classe superior dos monges se envolveu num luta por poder  econômimico e políotico leando uma vida decadente e repidamente foram perdendo  a popularidade. Tsongkhapa se esforço para que os Budistas seguissem novamente os princípios de Buda, e começou a fazer viagens dando palestras e escreveu muitos livros pedindo por uma reforma no Budismo. Por exemplo, no primeiro mes de 1409 do calendário Tibetano,  Tsongkhapa iniciou  a Cerimonia da Grande Convocação no Mosteiro de Jokhang em Lhasa. A cerimonia é praticada até hoje. Ocorreu também a construção do Mosteiro Gandain e a fundação da Seita Gelup que era famosa por sua adesão extrita aos mandamentos. A palavra Gelup significa na língua Tibetana,  "mandamentos". Tsongkhapa e seus seguidores usavam um chapéu amarelo, daí o nome de Seita Amarela. Desde a sua fundação, a seita constriu os mosteiros de Zhaibung, Sera, Tashilhungpo, Tare, Labrang, que se juntaram ao mosteiro de Gandain Monastery para forma os seris maiores mosteiros da Seita Gelug. A Seita Amarela é também conhecida pela formação dos dois maiores sistema de reencarnação dos Budas Vivos - O Dalai e o Panchen.

A REINCARNAÇÃO DOS BUDAS VIVOS

O sistema de reincarnação dos Budas Vivos é o ponto principal que distingue o Budismo Tibetano das outras formas de Budismo.

Este termo "Buda Vivo" emergiu na Dinastia de Yuan (1271-1368) quando o Imperador Kublai Khan honrou Pagba, chefe da Seita Sagya, com o nome de "Buda do Paraíso do Oeste" A partir daí todos os monges que se distinguiam na prática do Budismo eram chamados de Buda Vivo. Entretanto o termo Buda Vivo não era reconhecido como um título especial para aquele que se tornava o sucessor do chefe de um mosteiro até a eventual introdução do sistema de reencarnação dos Budas Vivos.'

Kublai Khan em 1252 concedeu uma audiência para Pagba e Karma Pakshi, um monge eminente da Seita Karma Kagyu. Khan conferiu a Karma Pakshi um chapéu preto com beirada dourada e um selo dourado de autoridade. Para firmar os interesses de sua Seita, em 1283,  deixou um testamento orientado os seus discipulos a procurarem um garoto para herdar o chapéu preto com a instrução baseada na premissa de que a ideologia de Buda é eterna, e um Buda iria reincarnar para completar as missões que ele havia iniciado.Os discípulos de Karma Pakshi's agiram de acordo com as orientações e encontraram o garoto com a alma reencarnada do mestre. O evento marcou a introdução do sistema de reencarnação do Buda Vivo para a linhagem dos Chapéus Preto do Budismo Tibetano. Durante a Dinastia Ming (1368-1644), o Imperador Yongle honrou o Buda Vivo Chapéu Preto Karmapa com o título de  ''Grande Tesouro Principe do Dharma,'' o primeiro dos três "Príncipes do Dharma". O sistema de reencanação do Buda Vivo permance até hoje. Em 27 de Setembro de 1992, o mosteiro Curpu no condado de Doilungdeqen, Lhasa, foi o local da grande cerimônia marcando o entronamento do 16º Buda Vivo Karmapa. O evento marcou uma nova página na história da Seita Karma Kagyu.

Várias outras seitas do Budismo Tibetano reagiram à introdução do sistema de reencarnação do Buda Vivo e criaram vários outros sistemas. Durante a Dinastia  Qing (1644-1911) reino absoluto do Imperador Qianlong, 148 Budas Vivos foram registrados no Conseho para Assuntos Mongois e Tibetanos. Contudo os sistemas mais influentes foram o Dalai e o Panchen.

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A TRADIÇÃO DAS REINCARNAÇÕES

O Sistema Tantrico do Budismo, também conhecido como Vajrayana, foi introduzido no Tibet pelo Grande Guru Indiano Padmasambhava ou Guru Rinpoche.

Enquanto o Rei Trisong Deutsen (740 AD-786 AD) estava construindo o Mosteiro de Samye ele se deparou com dificuldades causadas por demônios e espíritos maus que continuamente destruiam tudo que era construido. Finalmente, aconselhados pelo grande Padita Indiano Shantirakshita, o Rei pediu ajuda ao Guru Padmasambhava. Relata-se que depois de subjulgar os espíritos obstruidores, Guru Rinpoche ficou no Tibet por 50 anos ensinando o Vajrayana.

No texto sagrado Kanjur está escrito que ante do Maha Parinirvana do Buda, seus discípulos perguntaram a Êle porque Êle não havia dado ensinamentos sobre o Tantra. A resposta de Buda foi que desde que Êle havia nascido de um útero humano Êle não se qualificava para dar ensinamentos tão profundos. E na época de sua morte, Êle disse aos discípulos que voltaria como  Padmasambhava.

Oito anos depois do Maha Parinirvana de Buda, Guru Padmasambhava nasceu no décimo dia do quinto mês, de um lotus no Lago Dhyanakosha, que agora é chamado de Rewalsar (Tib. Tso Pema) em, Himachal Pradesh. Logo os Budistas Tibetanos acreditam que Padmasambhava é a reincarnação do Senhor Buda. Acredita-se que o Guru viveu por mais de mil anos e que está ainda vivo ensinando em outras dimensões.

A tradição da reincarnação é uma característica do Vajrayana. Está ligada ao conceito do bardo, o período intermediário entre nascimento e renascimentos. A morte é somente uma pausa na continuidade de nascimentos e renascimentos. Enquanto um ser ignorante vive uma vida confusa, e tem uma morte confusa, e passa por um bardo confuso e nasce novamente como um ser confuso, um Bodhisattva vive e morre e renasce somente com o propósito de libertar os sêres da ignorância e confusão. Para ele, todo o passado e todo o futuro está manifesto no presente, portanto ele ultrapassa o continuum tempo/espaço.

Lama Anagarika Govinda diz:  " O ser torturado e ferido de nosso tempo,  não conhece o seu passado infinito e nem a infinidade de seu futuro porque perdeu a conecção com seu ser atemporal, é como um homem sofrendo de uma amnésia incurável, uma enfermidade mental que o priva de sua consciência e portanto de sua capacidade de agir consistentemente de acordo com sua natura verdadeira.. Tal ser realmente morre, porque ele se identifica com sua existência momentânea." Um Bodhisattva, por outro lado, não pede a conecção com o seu ser atemporal, e é capaz de canalizar sua consciência para renascer e propiciar ajuda a todos os seres, e uma vez que ele é o mestre dos três tempos, é possível para ele indicar e dirigir as condições de seu renascimento ou reincarnação.

Depois de  Guru Padmasambhava, o  Budismo floresceu no Tibet. Haviam praticantes, milhares dêles, vivendo em cavernas, em ermidas e mosteiros dedicados aos votos de libertar todos os seres sencientes das amarras da ignorância. Devido à claridade de suas visões e ao poder de suas motivações, existem incontáveis reencarnações desses Bodhisattvas.

Em nossos tempos modenos temos mestres reincarnados iluminados como a Sua Santidade o 14º Dalai Lama, Sua Santidade Dudjom Rinpoche, Sua Santidade o Karmapa, Sua Santidade Sakya Trinzin Rinpoche, Sua Santidade o Mingling Trichen Rinpoche, Sua Santidade Dilgo Khyentse Rinpoche, Kalu Rinpoche e muitos outros, brilhando como sóis na escuridão da Roda da Vida (Samsara).  Ã medida que Êles se vão, novas reencarnações nascem, identificadas, entronadas, instruídas e fortalecidas até que eles, por sua vez, se tornem mestres libertando incontáveis sêres.

Algumas reenarnações são identificadas através dos sonhos, algumas através de visões de pessoas santas, algumas através de instruções deixadas no momento da more, algumas através de sinais auspiciosos da natureza e alguns simplesmente proclamam suas identidades quando ainda bebês. Enquanto muitos são colocados à prova de identificar os objetos pertencentes à incarnação prévia, muitos são aceitos sem qualquer teste. Não existe nenhuma regra rígida no processo de identificação e nascimento. Alguns nascem príncipes e alguns pastores. O único princípio guia para tais nascimentos é a compaixão dos Bodhisattvas e o karma coletivo das pessoas. Onde quer que seja que o fluxo karmico das pessoas está maduro bastante para seguir o caminho do Dharma, um Bodhisattva com certeza surgirá. Existem casos onde o karma coletivo se tornou negativo e um Boddisattva foi rejeitado ou expulso.

Uma dessas estórias datam da época do Buda Sakyamuni. Um de seus discípulos tendo aprendido muito e se tornado muito arrogante, após a sua morte ele nasceu como um preta, um fantasma faminto, no jardim onde Buda ensinava.O Senhor Onisciente, tomando conhecimento da presença desse miserável fantasma, tentou ensiná-lo o dharma, mas cada vez que Buda falava, ele tapava seus ouvidos com as mãos e virava de costas. Onde existe comunidades inteiras que fecham seus ouvidos mentais para o Dharma, um Buda dificilmente aparecerá.

Do mesmo modo que não existem padrões rígidos no processo de se identificar uma reencarnação, também não existem para quem deverá identificar a reencarnação. Normalmente um Tulku (encarnação reconhecida) ou um Rinpoche encarnado reconhece e identifica a nova reencarnação que pertence à seu mosteiro. Entretanto, muito freqüente, tem acontecido casos onde uma grande reencarnação é identifiocada por um único lama comum ou até por representantes dos Rinpoches e Tulkus.

Logo que um Tulku é identificado, ele é entronado e providenciado para ele os mais sábios instrutores. Ele tem completo acesso ao vasto oceano de nectar do dharma e rodeado por grandes mestres.

O sistema de reincarnação para o Dalai Lama foi introduzido no século XVI. No início da Dinastia Qing Dynasty, o 5º Dalai Lama viajou para Beijing para prestar homenagem ao Imperador Shunzhi. O Imperador Qing conferiu a ele o título honório de o Dalai Lama, guardião da Fé Budista na Terra sob os auspícios do Grande Buda Benevolente o Paraíso do Oeste". O título Dalai Lama foi então estabelecido e permanece até hoje. O atual Dalai Lama foi entronado no Palácio de Potala e, 22 de fevereiro de 1940, durante a cerimônia presidida por Wu Zhongxin, ministro da Comissão para os Assuntos Mongois e Tibetanos do governo nacionalista da República da China(1911-49), sendo vetado alguns rituais que faziam parte da cerimônia de confirmação.

De acordo com a tradição, comitivas de busca foram enviadas para encontrar o sucessor de XIII Dalai Lama. Dois anos depois vários sinais levou um grupo a Takster, onde eles encontraram o garoto Lhamo Thondup. Depois de uma série de testes, a criança (mais tarde nomeada Tenzin Gyatso) foi reconhecido como o XIV Dalai Lama.

Ver também

Biografias

 

 

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S.S. 14º Dalai Lama

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Última Atualização em 06 mai 2003