desafio


Sonhei que estávamos em uma lanchonete em Belo Horizonte. Esta era a mesma que havia entre a rua Guajajaras e Av. Álvares Cabral, bem próximo a Faculdade de Direito e também da MinasCaixa, onde trabalhei por muitos anos. O local estava tal como era naquela época. Parece-me que além de nós dois a J. também estava. Você usava óculos de grau com lentes ligeiramente escurecidas. No interior deste local, você encontrou um homem que parecia ser um antigo amigo seu. E ao vê-lo conversar com alguém que ali estava, você interferiu na conversa de forma bem humorada e com a intenção de chamar-lhe a atenção. No entanto, este homem não consegui perceber a sua intenção e por mais que você insistisse ele não o reconhecia e ia ficando irritado.

Cheguei a pensar que ele não o reconhecia por causa dos óculos parcialmente escuros que você estava usando. E quanto mais irritado ele ficava, você continuava a incitá-lo com brincadeiras que para você deveriam ser fruto de uma antiga amizade, mas o homem não conseguia entender o significado daquilo e então o atingiu violentamente com um copo no lado esquerdo da sua testa. Logo percebi que estava sangrando, mas nem mesmo aquela atitude o fez mudar de tática. Aquilo me deixou impressionado, e então perguntava-me em silêncio: De onde vem tanta compaixão e bom humor? Ou seria que estava sustentando aquela postura para não transparecer uma outra imagem para aquele sujeito ou mesmo para mim?

Este sonho foi interrompido no instante desta dúvida. Na segunda etapa, ainda estávamos eu, você e a J., porém neste momento estávamos em uma construção muito bonita que parecia-me um antigo mosteiro. A arquitetura e os motivos eram belíssimos e parecia-me um lugar muito antigo, freqüentado por pessoas com grande evolução espiritual. Mas também via naquele lugar, pessoas com comportamento muito estranho, pareciam-me possuídas por energias muito negativas, enquanto que outros pareciam-me completamente loucos e agressivos.

No instante em que percebi isto, você seguiu o seu caminho e nos deixou ali sozinhos. Parecia-me um grande desafio, permanecer ali e sair ileso. Tentei acalmar a J. e procurar perceber alguém com energia positiva para nos ajudar. De repente, encontramos um homem que parecia dar um "passe" em um sujeito que parecia muito agitado e ameaçava-nos. Este homem que parecia um monge que saiu e nos deixou ali diante daquele sujeito completamente irado. Não foi fácil contornar a situação e a sensação que tinha, era que não deveria enfrentá-lo em momento algum e ao mesmo tempo, não demonstrar temor, pois poderia tomar partido daquilo e nos chantagear.


* as marcas em cor são minhas

Algum aspecto seu, representado por minha imagem, tenha ela a representação que tiver, se encontra com um antigo amigo, no interior de um local do passado, ( portanto o complexo encontrado deve ter alguma relação com esta época).

A atitude do ‘S.’ no sonho é bastante questionável talvez ele tenha entrado na forma, no jeito do ‘amigo’ de incitar e provocar. Os óculos escuros são interessantes, como você disse talvez eles tenham atrapalhado no reconhecimento ou ainda atrapalhado na visão ou avaliação do próprio ‘S.’.

Quando encontramos com um aspecto sombrio ou qualquer complexo, uma vez que ele ainda não tenha sido assimilado, a nossa tendência é imitar ou ser influenciado pela característica deste. Por isso eu acho que o ‘amigo’ deve ter alguma coisa de provocador ou espaçoso.

O que acontece é inevitável. O seu lado bom (digo isto não pela representação pela minha imagem, mas talvez seja um lado em que você esteja trabalho ou cuidando mais) ‘ de compaixão e bom humor’ é ferido e assim ele sai de cena, i.e., volta pro inconsciente. Um outro detalhe importante é que você também está sempre acompanhado pelo seu feminino, o lado sensato, calmo e que tem uma visão boa das coisas.

Como o inconsciente ainda não desistiu da idéia de lhe mandar alguma mensagem a respeito deste ‘complexo’, outro cenário é criado. Apesar do seu lado bom ter voltado pro inconsciente, ele agora está representado no próprio ambiente de calma e paz de um mosteiro. Pra mim existe uma mensagem aí de que este lado sofreu uma evolução, uma ampliação pois saiu de uma representação humana para uma muito antiga e misteriosa, ‘freqüentado por pessoas com grande evolução espiritual’, i.e., coletiva.

Uma coisa que eu achei interessante é que o mosteiro também possuía pessoas ameaçadoras (mesquinhas , agressivas e sei lá o que mais) tal e qual nos mosteiro de nossa realidade concreta. Parafraseando Grof, talvez antes de existir um mosteiro com pessoas agressivas já existia agressividade em nossos mosteiros internos. Quando venho a pensar nisto, vejo que isto é óbvio pois que outra maneira poderia explicar a existência dessas pessoas lá?

O próximo momento do sonho eu vejo como que dividido em duas partes. Na primeira você se vê sozinho (que é uma realidade) praticando a sua atenção e seu intento; ‘Parecia-me um grande desafio, permanecer ali e sair ileso’. Aí você assume o controle e começa a atuar de forma inteira inclusive com a preocupação de proteger e aclamar a J.. Aí você vê de novo alguém evoluído ‘parecia um monge’ do mesmo jeito que você estava na primeira parte do sonho em companhia do ‘S.’. E para se evitar que de novo você caísse na mesma tendência de se submeter a (se colocar sob a proteção de..) alguém mais evoluído pois você teve esta idéia quando pensou em ‘ procurar alguém com energia positiva para ajudar’.; o monge vai embora. Ainda bem que ele foi embora.

Aí você finalmente se depara com a situação que o tempo todo estava preparada para você. O confronto com uma agressividade que você teve que lidar com ela e contornar a situação. E ótima conclusão a sua de saber ‘que não deveria enfrentá-lo em momento algum e ao mesmo tempo, não demonstrar temor’. Só tem um detalhe que você pecou no final; NÃO TENHA MEDO DE CHANTAGEM, isto é coisa do ego ou de uma identificação que pode ser danosa.

MORAL DA ESTÓRIA: Saiba que sempre vai existir alguma agressividade mesmo nos recantos mais pacíficos e acalentadores do inconsciente. A existência deles é inerente ao grau de evolução de seu oposto. Portanto quanto mais você crescer mais monstruosos eles parecerão. E você está certo, não mostre temor, mesmo porque eles são partes suas. É você, e por isso devem ser tratados com respeito Não enfrentá-los, simplesmente saber da existência deles.

Imagino que você tenha passado por algumas situações onde isto esteja sendo posto à prova. Mas eu creio também que você encontrou a solução: contornar a situação e a sensação que tinha, era que não deveria enfrentá-lo em momento algum e ao mesmo tempo, não demonstrar temor

Quando isto acontecer, centre-se, abrande seu coração e saiba que é você quem está lidando com a situação


Feedback do sonhador

Quero lhe agradecer pela colher de chá que me deu naquele sonho. Confesso que nunca vi tanta clareza e requinte ao mesmo tempo. Ficou tão interessante que estou sempre relendo para ficar atento aos detalhes e sutilezas que você captou. Confesso que chego a ficar desconfiado de mim mesmo ao ver que tenho lampejos ( pelo menos em nível inconsciente). sleepwalk.gif (14554 bytes)


® Sérgio Pereira Alves

(0xx31) 3335-7146

Voltar à Página dos Sonhos