sonhos lúcidos

O sonho lúcido consiste em sonhar estando ciente de que se está sonhando. Os defensores dessa prática se esforçam para controlar e guiar seus sonhos. Alguns sonhadores lúcidos da Nova Era, no entanto, acreditam que esse tipo de sonho é essencial para o auto-aperfeiçoamento e crescimento pessoal.

A capacidade de sonhar lucidamente, nos dá a oportunidade de experimentar qualquer coisa imaginável -- superar limitações, medos e pesadelos, explorar nossas mentes, viver aventuras incríveis e descobrir a consciência transcendente.

Os sonhos comuns nos dão uma idéia dessas possibilidades, através de sua violação das regras da vida desperta, e sua oferta ocasional de percepções a respeito de nossas vidas. A arte de sonhar é uma habilidade que se pode aprender, e eu acredito que o nível mais elevado dessa capacidade se encontra nos sonhos lúcidos. Eles são sonhos em que se que está sonhando, e em que se tem consciência de que o sonho é uma criação da própria pessoa.

Com a lucidez vem um sentimento assombroso e empolgante de liberdade -- o conhecimento de que se pode fazer qualquer coisa, livre dos limites de qualquer lei da física ou da sociedade. Um dos primeiros prazeres de muitos sonhadores lúcidos é o de voar, como um pássaro, livre das amarras da gravidade. A partir daí, as pessoas podem ir além, para descobrir o grande poder dos sonhos lúcidos de transformar suas vidas.

A razão pela qual o Dr. LaBerge não defende simplesmente que se sonhe acordado para se obter todo esse maravilhoso conteúdo transcendental é explicada por Frederick van Eeden. Quando estamos acordados, somos lógicos e nos sentimos restritos pelas regras sociais convencionais e as opressivas leis da natureza. Nossa imaginação estaria reprimida demais pela nossa consciência desperta para que nos permitisse voar com os espíritos ou ver ramos intrincados. Assim, precisamos dormir para libertar a imaginação. Ao menos isso é menos perigoso que tomar alucinógenos para liberar a alma.

A lucidez e o controle dos sonhos não são a mesma coisa. É possível estar lúcido e ter pouco controle sobre o conteúdo do sonho ou, pelo contrário, ter grande controle sem estar explicitamente ciente de que se está sonhando. Apesar disso, tornar-se lúcido num sonho tende a aumentar sua influência voluntária sobre o curso dos eventos. Uma vez que se sabe que está sonhando, é provável que se escolha alguma atividade que só é possível em sonho. Sempre se tem a escolha de quanto controle se quer exercer, e de que tipo. Por exemplo, pode-se continuar com o que quer que se esteja fazendo no momento em que ficar lúcido, com o conhecimento adicional de que se está sonhando. Ou pode-se tentar mudar tudo -- a cena do sonho, a si próprio, outros personagens do sonho, etc. Nem sempre é possível fazer "mágica" nos sonhos, como transformar um objeto em outro ou transformar cenas. A capacidade do sonhador de ter sucesso nisso depende muito de sua confiança. Se acreditar que não pode fazer algo num sonho, provavelmente não será capaz de fazê-lo.

Será que nosso objetivo deveria ser dormir para sempre e viver num mundo de sonhos? Quais são os indícios de que quanto mais sonhos lúcidos uma pessoa tem, melhor ela é? De que forma ter mais sonhos em que se está voando ou surfando transformará a vida de alguém? Sonhos assim podem ser divertidos, mas será que não se poderia tê-los sem gastar milhares de dólares com os aparelhos do Dr. LaBerge?

Para alguns sonhadores, o objetivo principal é ter sonhos lúcidos indistinguíveis de Experiências Extracorpóreas ou OBEs. Voar nos sonhos, sem as limitações da gravidade, tira algumas pessoas de seus corpos para que flutuem e vejam a si próprias sonhando lucidamente.

Alguns céticos não acreditam que exista esse estado de sonho lúcido [ex. Malcolm, Dreaming [Sonhando] (Londres: Routledge, 1959)]. Os céticos não negam que às vezes estamos cientes de estar sonhando. O que negam é que exista um estado especial chamado de 'estado lúcido'. Assim, o sonho lúcido não é um portal para a "consciência transcendente" mais do que os pesadelos o são. Mas LaBerge alega ter provado que os céticos estão errados:

Fornecemos a verificação necessária instruindo pessoas a sinalizar o início dos sonhos lúcidos com ações específicas nos sonhos, que fossem observáveis num polígrafo (movimentos de olhos e cerrar de punhos). Usando essa abordagem, LaBerge, Nagel, Dement & Zarcone (1981)["Psychophysiological correlates of the initiation of lucid dreaming," [Correlações psicofisiológicas do início dos sonhos lúcidos] Sleep Research, 10, 149.] relataram que a ocorrência dos sonhos lúcidos foi demonstrada para cinco sujeitos durante sonho REM inequívoco.

Isso deveria ser prova suficiente para acordar qualquer cético com narcolepsia. Se não for, pode-se considerar a hipótese de que a autoconsciência reside no córtex prefrontal, que apresenta atividade reduzida durante o sono para a maioria das pessoas na maior parte do tempo.

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Essa atividade reduzida pode muito bem ser a razão pela qual podemos sonhar com as coisas mais bizarras sem ter consciência do quão estranhas elas são, até que acordemos e nos lembremos delas. Talvez os sonhos lúcidos sejam possíveis para algumas pessoas porque seus lobos frontais não repousem durante o sono.

®Sergio Pereira Alves

www.salves.com.br