Porco
No Xamanismo,o Xamã convertia-se em touro,
cervo, porco, lebre, pássaro ou peixe e, com essa natureza, entrava no "estado de
sonhar", em que os aspectos de animal e Deus existentes no homem se unificam e
emergem em uma esfera fora do tempo. A tradição de ter um animal como guardião
permanecia profundamente enraizada na consciência celta, e o herói confiava nesse poder.
Isso representava sua outra dimensão, e a ajuda emanada dessa força era, amiúde, uma
expressão de agradecimento pelo respeito a ela manifestado.
Os celtas também utilizaram a arte para representar os animais como guardiões dos espíritos. Na Bretanha, o porco era um animal popular, aparecendo nos escudos (como protetor) e nos penachos, e sozinho nas pequenas imagens. Na Ibéria, grandes pedras esculpidas como porcos foram colocadas dentro dos castelos fortificados. Enquanto que na Gália cultuava-se o porco de três chifres.
No Brasil, entre a população waïwaï situados as margens do rio Jatapuzinho, Roraima, e na Guyana, existe um grau mais elevado do conceito de yin (pai). Algumas espécies animais, bem como outras entidades naturais podem ter um pai. Com eles, os xamãs estabelecem contato por meio dos sonhos. O poinko-yin (porco selvagem) é um dos mais importantes desta categoria, e por isto na sua caça os índios waïwaï observam uma série de precauções.
Dentro deste universo tradicional, o xamã ocupa um lugar fundamental: além de exercer uma função política, ele é responsável pela organização e execução das práticas mágicas, das curas e dos diferentes rituais. Como a doença é atribuída às agressões de origem sobrenatural, somente os xamãs podem intermediar a cura, ainda que para diversos outros objetivos (sedução, caças, vinganças), a prática mágica seja conhecida de quase todos waïwaï.
Os xamãs são assistidos por um de seus espíritos auxiliares seja na cura, na busca de conselhos ou ajuda na caça. Algumas técnicas como a entoação de eremu (cantos específicos), ou execução de uma pequena flauta (kukuwi) são utilizadas para favorecer a conversa entre o xamã e um de seus espíritos auxiliares. Destas conversas noturnas entre xamã e espíritos auxiliares, concluem-se acordos segundo o qual o xamã não deverá jamais matar ou consumir a carne do animal, seu espírito auxiliar.
Pode simbolizar a baixa sensualidade. Circe, transformava em porcos os homens que a desejavam.
® Sérgio Pereira Alves