Alqueire

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Meia Alqueire - Medida Padrão de líquidos e secos de D.João VI. 1819

O alqueire europeu, medida destinada à pesagem dos grãos, correspondia, pouco mais ou menos, a treze litros (no Brasil, essa antiga medida de capacidade para secos e líquidos era variável de região para região).  No Brasil ainda, medida agrária que varia de acordo com a região: 48.400m2 (Rj, Go e Mg) e 24.400m2 (SP). Na China, encontra-se medida de utilização análoga, embora atualmente contenha apenas 10 a 31 litros: é o teú (em vietnamita, dau). De uso muito antigo, o teú teve normalizada sua capacidade desde a época dos Han (dinastia fundada por Liu Pang, por volta do ano 202 ou 206 a. C.). E como as organizações taoístas dessa época cobravam, a título de imposto celeste, cinco alqueires de arroz, os alqueires representaram, durante longo tempo, para o profano, um emblema do próprio taoísmo.

O uso simbólico do alqueire deve-se essencialmente a seu emprego pelas sociedades secretas relacionadas com a T'ien-ti-huei, ou Sociedade do Céu e da Terra.  a idéia básica é tirar o que está oculto debaixo, mais propriamente, o que está no interior.   No centro da loja, num espaço denominado Cidade dos Salgueiros, encontra-se um alqueire cheio de arroz vermelho. E, se o alqueire contém esse alimento, é por causa da potência da luz, ou do conhecimento. E como essa Cidade dos Salgueiros resume a loja inteira, o teú representa e substitui a cidade: os caracteres um-yang tcheng (cidade dos salgueiros) estão, além do mais, desenhados na medida do alqueire. Aliás, quando soerguem o teú, os novos iniciados dizem explicitamente: nós soerguemos a Cidade dos Salgueiros a fim de destruir Ts'ing, e restaurar Ming. Ora, Ming não é apenas uma dinastia, é sobretudo a luz. Restaurar a luz ao soerguer o teú corresponde, estranhamente, a um simbolismo que nos é familiar: essa luz, embora não esteja oculta debaixo, está contida, pelo menos, no interior.

Refere-se, também, à mitologia, em que o deus irlandês, Diancecht mata o seu filho Miach (alqueire). A filha de Diancecht, chamada Airmed, classificou as trezentas e sessenta e cinco plantas que cresceram sobre o túmulo de seu irmão, Miach. Diancecht, entretanto, colocou-os novamente em desordem, a fim de que ninguém pudesse utilizá-las. Miach (alqueire) simboliza a medida de equilíbrio cósmico, e Diancecht mata o próprio filho porque o conhecimento das plantas não deve ser divulgado. Ele põe esse conhecimento "debaixo do alqueire". (Chevalier, 1992)

Signo de reunião, arca da aliança, sede dos símbolos essenciais, o teú contém arroz, que é o alimento da imortalidade. E se contém esse alimento, é por causa da potência de Ming, i.é, ainda em virtude da luz, ou do conhecimento.

Além disso, o teú é o nome dado à Ursa Maior que, situada no meio do céu tal como o soberano no coração do Império, regulamenta as divisões do tempo e a marcha do mundo. Se o teú é a Ursa Maior, em torno dele as quatro portas cardeais da loja correspondem às quatro estações. Na vertical do polo celeste, o alqueire é o ponto de aplicação da atividade do Céu. Na Cidade dos Salgueiros, representa o mesmo que linga na cella do tempolo hindu, sede da luz na caverna do coração .

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Dicionário de Símbolos de Imagens Oníricas

Um dos filhos do deus irlandês, Diancecht (Apolo, em seu aspecto de deus-médico) é chamado de Miach (alqueire). Miach é morto pelo pai, por ter enxertado em Nuada, o rei maneta, um braço vivo, em vez do braço de prata cuja prótese fora feito pelo próprio Diancechet. A filha de Diancecht, Airmed, classificou as plantas, em número de trezentas e sessenta e cinco, que cresceram sobre o túmulo de seu irmão, Miach. Diancecht, entretanto, colocou-as novamente em desordem, a fim de que ninguém pudesse utilizá-las. Miach (alqueire) simboliza a medida de equilíbrio cósmico, e Diancecht  mata o próprio filho porque o conhecimento das plantas não deve ser divulgado. Ele põe esse conhecimento “debaixo do alqueire” (fr. mettre sous le boisseau: manter oculto, escondido).

® Sérgio Pereira Alves

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